- As exportações portuguesas para países vizinhos da Rússia aumentaram desde o início da guerra na Ucrânia, com crescimento em destinos como Quirguistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Turquia e Emirados Árabes Unidos.
- O Quirguistão destacou-se, passando de cerca de 200 mil euros em 2021 para quase 6 milhões de euros em 2025.
- As exportações para a Rússia caíram após as sanções, mas os dados oficiais indicam aumento para os países mencionados, sugerindo possíveis contornos às sanções através de intermediários.
- A cortiça, produto em que Portugal é líder mundial, viu as vendas para a Rússia caírem após as sanções, mas cresceram para a Turquia, Emirados Árabes Unidos, Quirguistão e Cazaquistão.
- A investigação OLAF sobre exportação de veículos usados da UE para a Rússia, via Turquia, Arménia, Cazaquistão ou Quirguistão, levou a processos em vários estados-membros; em Portugal, a Autoridade Tributária e Aduaneira confirma diligências sobre potenciais irregularidades.
Desde o início da guerra na Ucrânia, autoridades em Portugal estão a analisar um aumento nas exportações para países próximos da Rússia, após a imposição de sanções pela UE. O foco abrange vários setores, incluindo a cortiça, classificada entre os produtos mais vendidos.
Dados do INE indicam que, para além da Rússia, Portugal passou a exportar mais para Quirguistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Turquia e Emirados Árabes Unidos. As negociações ocorreram num contexto de restrições a artigos sensíveis.
Entre 2021 e 2025, o Quirguistão registou o maior crescimento relativo, passando de cerca de 200 mil euros para quase 6 milhões de euros. Apesar disso, o valor não representa uma fatia relevante do comércio externo português.
Cortiça em destaque
A cortiça surge como um dos produtos com maior destaque nas mudanças registadas. Apesar de Moscovo ter sido um comprador histórico, as sanções alteraram esse padrão, com aumentos significativos para Turquia, Emirados Árabes Unidos, Quirguistão e Cazaquistão.
A investigação atual envolve o rastreio de possíveis vias de contorno às sanções, com foco em intermediários que possam enviar produtos para a Rússia. O objetivo é esclarecer fluxos que contornem as restrições impostas pela UE.
Papel das autoridades
Em Portugal, a fiscalização compete à Autoridade Tributária e Aduaneira. A entidade confirmou ao Público a existência de investigações sobre eventuais irregularidades, destacando que alterações de padrões de comércio não equivalem, por si s, a incumprimentos comprovados.
Além disso, o OLAF coordenou, este ano, uma operação que apontou um esquema de exportação de veículos usados da UE para a Rússia via Turquia, Arménia, Cazaquistão ou Quirguistão. O caso levou a processos criminais em vários Estados-membros.
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