- A agitação geopolítica levou investidores privados a recorrer ao ouro físico, com o ouro a subir para 5.420 dólares por onça, após o Brent superar os 80 dólares por barril, e os mercados a registarem quedas.
- O xisto dos EUA e de Israel contra o Irão aumentou as tensões no Médio Oriente, fortalecendo a procura por ativos de refúgio, incluindo o ouro e o petróleo.
- Pawel Mazurek, presidente da Casa da Moeda de Mazóvia, indica que o interesse em ouro físico está a crescer entre 30 a 50 por cento, com compras tanto de cobertura como por receios de escalada do conflito.
- A situação lembra a crise de 2022 na Ucrânia, quando houve aumento explosivo da procura por ouro, com filas em frente a casas de moeda e negociantes de ouro.
- Bancos centrais continuam a acumular ouro, o que serve de indicação para investidores privados diversificarem as suas carteiras para metais físicos, aproveitando a liquidez, mobilidade e isenção de IVA em certas transações intracomunitárias.
O conflito entre potências e a escalada das tensões no Médio Oriente levaram investidores a abandonar, em parte, instrumentos virtuais como ETFs e futuros, procurando ouro físico. O ouro houve a reagir com alta, consolidando-o como ativo de proteção.
Os eventos em redor do Irão provocaram queda generalizada nas bolsas globais, com perdas entre 1,5% e 2,5% nos principais índices. Os investidores migraram para ativos de refúgio, entre eles o petróleo e o ouro. O preço do petróleo brent subiu fortemente, excedendo os 80 dólares por barril, com ganhos de cerca de 9-10% no final do dia. O ouro fixou-se acima dos 5 420 dólares por onça, registando subida superior a 3%.
A tensão inclui não apenas ações militares como a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, mas também atritos diplomáticos, como a recusa de acesso às bases dos EUA por parte da Espanha. Essas situações alimentaram a aversão ao risco e reforçaram a procura por ouro como proteção de capitais.
Paweł Mazurek, presidente da Casa da Moeda de Mazóvia, explica que o interesse em ouro físico cresce entre investidores privados, não apenas para cobertura mas também por receios de escalada. Ele salienta que o ouro funciona como proteção de capital em períodos de desestabilização geopolítica.
A memória de crises anteriores sustenta a leitura atual. Mazurek recorda que, em 2022, durante a invasão da Ucrânia, a procura de ouro explodiu e as filas em frente de oficinas de venda de metais não foram incomuns. A perspetiva é de que o ouro permanece como reserva de valor estável face à volatilidade da moeda fiduciária.
Dados do Forex Club apontam que 21% dos polacos começaram a investir em ouro em 2025, com parte significativa a entrar nos primeiros meses de 2026. O incremento da procura é visto tanto como proteção quanto como diversificação de carteiras.
Entre investidores institucionais, os bancos centrais continuam a acumular ouro, num quarto ano consecutivo de compras. O objetivo é diversificar reservas e reduzir a dependência do dólar, num contexto de geopolítica fragmentada. Esta tendência inspira os retalhistas a considerar o ouro físico como proteção adicional.
Especialistas destacam ainda vantagens do ouro físico: mobilidade, tratamento fiscal favorável na União Europeia para ouro de investimento, liquidez global e divisibilidade. O ouro pode ser transmitido com facilidade em emergências e mantém valor intrínseco.
Estima-se que o ouro privado mundial permaneça estável em volume, com grandes regiões como a Índia, China e EUA a deterem grams e milhares de toneladas em mãos privadas. Na prática, o interesse por barras de pequenos pesos e moedas tem crescido entre os compradores individuais.
Preços e perspetivas apontam para continuidade da trajetória. O ouro encerrou 2025 próximo de 4 000 dólares por onça, com picos ao redor de 5 500 dólares no início de 2026. Analistas mantêm previsões de subida para além dos 6 000 dólares pelo final de 2026.
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