- A Fosun informou um lucro negativo esperado para 2025 entre 21,5 e 23,5 mil milhões de renminbi, cinco vezes acima do prejuízo de 2024 (4,35 mil milhões de renminbi).
- A empresa reconheceu provisões e reavaliações de ativos, com especial pressão no imobiliário e em ativos não centrais, não detalhando as imparidades.
- O grupo reiterou compromisso de longo prazo com Portugal, dizendo que a situação não altera o investimento e o apoio às operações no país.
- A Fosun tem vindo a reduzir o peso em Portugal, devendo fazê-lo brevemente na Fidelidade, onde detém 85% da maior seguradora nacional.
- No BCP, a Fosun reduziu a posição de quase 30% para cerca de 20% em 2024, mantendo-se como principal acionista, com gestão ainda vocacionada para Rogério Campos Henriques (Fidelidade), Isabel Vaz (Luz Saúde) e Miguel Maya (BCP).
A Fosun, acionista do BCP, anunciou um profit warning que antecipa resultados de 2025 muito abaixo do esperado. O grupo chinês confirmou que manterá o compromisso de longo prazo com Portugal, onde detém a Fidelidade e é principal acionista do BCP. Os impactos apontados não comprometem operações locais, segundo a Misericórdia de imprensa.
A empresa espera prejuízos entre 21,5 e 23,5 mil milhões de renminbi (2,7 a 2,9 mil milhões de euros) em 2025, face a um resultado de 2024 negativo de 4,35 mil milhões de renminbi. O comunicado aponta provisões e reavaliações de ativos, com imobiliário a piorar face à procura fraca. Não foram detalhadas as imparidades.
As semestrais até junho de 2025 mostraram um resultado positivo de 661,2 milhões de renminbi (83 milhões de euros), mas com queda de 8% face ao período homólogo de 2024. Os segmentos mais relevantes para a Fosun (farmácia, saúde, seguros e financeiro) apresentaram boa tendência, segundo o próprio aviso.
Compromisso com Portugal
A Fosun reforça que a situação anunciada não altera o compromisso de longo prazo com Portugal. A assessoria de imprensa sublinha que a Fosun continuará a apoiar o desenvolvimento das empresas do grupo no país e a reforçar capacidades operacionais globais.
Nos últimos anos, a Fosun tem mantido os investimentos em Portugal, mas tem vindo a reduzir peso em algumas áreas. O grupo possui 85% da Fidelidade, seguradora que detém cerca de um terço do mercado português, com a Caixa Geral de Depósitos detendo os restantes 15%.
A possibilidade de colocar parte do capital da Fidelidade no mercado bolsista voltou a ser considerada, após ter sido previamente adiada. Em paralelo, a Fidelidade reduziu recentemente o peso na Luz Saúde, abrindo parte do capital aos australianos da Macquarie, mantendo a Fosun com 60% do capital.
No BCP, a Fosun reduziu a participação de perto de 30% para cerca de 20% em 2024, mantendo-se como principal acionista, mas com peso semelhante ao da Sonangol, Angola. A gestão continua a cargo de Rogério Campos Henriques na Fidelidade, Isabel Vaz na Luz Saúde e Miguel Maya no BCP, com potencial novo mandato em vista para Maya.
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