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Um Encruzado permanece fiel aos pergaminhos da casta

A procura por Encruzado impulsiona produção e marcas no Dão, elevando o perfil da casta com vinhos de qualidade quando bem trabalhados

Ladeira da Santa é um projecto do ex-ministro da Agricultura Arlindo Cunha e do filho enólogo João Cunha (nesta fotografia)
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  • O texto analisa a popularidade da casta Encruzado no Dão, tornando-a numa das brancas mais procuradas da nova geração de vinhos portugueses e levando a mais marcas e garrafas com a casta.
  • A expansão gerou confusão, com vinhos produzidos em zonas menos adequadas, vinhas jovens ou sem os cuidados enológicos recomendados, levantando a dúvida sobre o impacto na casta.
  • A maioria dos brancos certificados de Encruzado cumpre o potencial da casta, destacando-se o Encruzado pioneiro, da Quinta dos Carvalhais, e brancos de altitude nas faldas da Estrela, incluindo cooperativas e produtores como Ladeira da Santa.
  • É descrito um Grande Reserva de Encruzado derivado de uma zona de transição entre solos de granito e xisto, com fermentação a baixa temperatura e metade do lote estagiando em barrica de carvalho francês durante um ano e a outra metade durante meio ano.
  • O perfil do vinho é gordo e intenso, com acidez viva e sugestões florais associadas à barrica, evidenciando o terroir do Dão e os cuidados da família, tornando-o adequado para mesa ou guarda.

A casta Encruzado, do Dão, tem sido o motor de uma evolução no ranking dos vinhos brancos nacionais. Com a procura a subir, surgem mais marcas e garrafas com esta variedade, incluindo vinhas jovens em zonas menos ideais. O cenário suscita dúvidas sobre qualidade e terroir.

Para os apreciadores, a maioria dos brancos certificados de Encruzado cumpre o potencial da casta. O Encruzado pioneiro da Quinta dos Carvalhais mantém a boa forma, enquanto brancos de altitude junto à Estrela vão ganhando elegância. Mangualde a Tábua aparecem como exemplos consistentes.

Este Grande Reserva surge numa zona de transição de solos entre granito e xisto no Dão. Nasce sob tutela da família que o criou, com a participação do enólogo João Cunha. O lote fermentou a baixa temperatura e metade estagiou um ano em barrica de carvalho francês, a outra metade meio ano.

No nariz, as notas florais associam-se à madeira sem exageros. Na boca, revela peso e intensidade, com harmonia entre volume opulento e acidez viva. Um perfil que conjuga equilíbrio entre o caráter da casta e a expressão do terroir.

Este encruzado é indicado para mesa ou para guardar. Representa uma das grandes castas brancas nacionais, refletindo técnicas cuidadas e um terroir autêntico do Dão. O resultado é um branco de expressão sólida e potencial de evolução.

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