- Os EUA correm o risco de perder liderança na IA devido à falta de energia elétrica suficiente para alimentar os grandes centros de dados.
- Estima-se que o consumo global de eletricidade destas infraestruturas duplique até 2030, representando cerca de 3% do consumo total de energia, com a China e os EUA a responderem por quase 80% desse aumento.
- A China tem aumentado fortemente a capacidade eléctrica (aproximadamente 1.500 gigawatts desde 2021, totalizando 3.891 gigawatts), enquanto os EUA mantêm a capacidade estável em cerca de 1.373 gigawatts; prevê-se que a China acrescente 3,4 terawatts nos próximos cinco anos.
- Grandes players tecnológicos alertam para a competição energética: o CEO da Nvidia disse que a China pode vencer a corrida da IA; o fundador da OpenAI afirmou que manter a liderança exige mais eletricidade do que os EUA conseguem fornecer.
- A rede eléctrica norte‑americana enfrenta possíveis défices de fornecimento de até 60 gigawatts nas próximas décadas, com risco de cortes de energia até 2027, ante o crescimento da procura dos centros de dados.
Nos EUA, a liderança em IA pode enfrentar retrocesso devido a constrangimentos na energia eléctrica. A expansão de centros de dados dedicados a treino e implementação de modelos de IA depende de infraestruturas de fornecimento estáveis e suficientes. O desafio é agudo num país que pretende manter vantagem tecnológica global.
Especialistas apontam que o consumo de electricidade destas infraestruturas deverá duplicar até 2030, representando cerca de 3% do total mundial. AIE aponta que China e EUA respondem por quase 80% desse crescimento, em relativamente curto espaço de tempo.
Enquanto a China tem vindo a aumentar a capacidade eléctrica com forte ritmo de investimento, o volume total de energia gerada norte-americana manteve-se perto de 1.373 gigawatts. A China, por seu lado, já instalou cerca de 1.500 gigawatts desde 2021, elevando a capacidade total para perto de 3.891 gigawatts, com perspetivas de acrescentar mais cerca de 3.400 gigawatts nos próximos cinco anos.
Perspetivas de mercado e respostas do sector
O sector tecnológico nos EUA exprime preocupação sobre o ritmo de crescimento da procura por energia. Escolas de tecnologia destacam que, embora centros de dados consumam energia equivalente a cerca de 100 mil habitações, novos empreendimentos podem exigir até 20 vezes mais energia. O aumento de tarifas energéticas tornou-se tema de debate público.
No discurso sobre o Estado da União, o líder político de destaque pediu que grandes empresas de tecnologia assumam responsabilidade pelo fornecimento energético dos seus centros de dados para evitar impactos nos preços aos consumidores. A reunião com executivos do sector na Casa Branca deverá formalizar compromissos próximos.
Empresas como Microsoft e Anthropic anunciaram compromissos públicos para suportar tarifas de electricidade mais elevadas, com custos reservados para cobrir o consumo adicional. Além disso, várias companhias recorrem à produção de energia própria, em especial a gás natural, como parte das estratégias de abastecimento.
A Google afirmou, numa ocasião, a intenção de pagar uma parte justa dos custos de fornecimento de energia, ao reunir-se com reguladores de serviços públicos. A postura faz parte de um conjunto de iniciativas para estabilizar o fornecimento ligado à IA.
Infraestruturas e riscos de rede
A maior operadora de energia dos EUA, a PJM Interconnection, indicou potenciais défices de fornecimento de até 60 gigawatts nas próximas décadas, devido ao crescimento da procura associada aos centros de dados. A rede pode enfrentar limitações de capacidade e reservas até 2027, o que aumenta o risco de apagões em cenários de pico.
Nestas circunstâncias, a administração pública acompanha as necessidades de investimento em geração, transmissão e armazenamento de energia. O objetivo é reduzir vulnerabilidades associadas ao aumento da procura de centros de dados e manter a competitividade tecnológica do país.
Desdobramentos e encaminhamentos futuros
Analistas relembram que a transição energética e o avanço em IA precisam de coordenação entre reguladores, operadores de rede e empresas de tecnologia. A adoção de soluções de eficiência energética e de novas fontes pode mitigar riscos sem travar o desenvolvimento da IA.
As decisões sobre investimento em capacidade eléctrica, bem como os acordos entre sectores público e privado, vão influenciar o ritmo de expansão de centros de dados nos EUA. O balanço entre crescimento tecnológico e estabilidade da rede continua a ser ponto central de debate.
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