- Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), disse que os cidadãos europeus acreditam que os preços sobem mais rápido do que indicam os dados oficiais, o que influencia o comportamento económico.
- A responsável destacou que a diferença entre a inflação medida e a percebida é uma regularidade histórica e global, com impactos nas decisões de consumo, poupança e salários.
- Para reduzir esse desvio, o BCE defende garantir que a inflação atinja o objetivo de dois por cento a médio prazo, além de uma comunicação eficaz e maior literacia financeira.
- A inflação na zona euro caiu de um pico de 10,6 por cento em outubro de 2022 para 1,7 por cento em janeiro deste ano, com a política monetária a incluir aumentos de juros e retirada de estímulos.
- Lagarde reiterou a intenção de permanecer no cargo até ao fim do mandato, em outubro de 2027, com foco num euro digital sólido e no aumento da produtividade através da inteligência artificial, sem promover despedimentos.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que os cidadãos europeus percebem que os preços sobem mais depressa do que os dados oficiais indicam. A observação foi feita numa audição na comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, na quinta-feira.
Lagarde explicou que a diferença entre inflação medida e inflação percebida não é apenas estatística, mas uma regularidade histórica com impacto direto nas decisões económicas e na confiança nas instituições. Este atraso de perceção pode influenciar as expectativas de inflação.
Essa perceção afeta o comportamento económico, levando a ajustes no consumo e na poupança, bem como nas exigências salariais. Assim, a leitura dos dados influencia a atividade económica agregada e a dinâmica inflacionista, segundo a dirigente.
A líder do BCE salientou que, para além de manter a inflação no objetivo de 2% a médio prazo, é preciso melhorar a comunicação e promover a literacia financeira. A autoridade destacou ainda o papel da comunicação eficaz na estabilidade macro.
Ao longo de 2022, a inflação atingiu 10,6% devido à invasão russa da Ucrânia e à crise energética. No segundo semestre de 2023 a inflação oscillou perto de 2% e situou-se em 1,7% em janeiro deste ano. A intervenção monetária foi decisiva para esse regresso.
Após o pico, o BCE implementou várias medidas, incluindo aumentos das taxas de juro e a redução gradual dos estímulos, para inverter a trajetória inflacionista. Christine Lagarde reconheceu o contributo dessas decisões para o objetivo de estabilidade.
A responsável assegurou ainda que continuará no cargo até ao fim do mandato, em outubro de 2027, para assegurar a estabilidade dos preços e financeira, bem como um euro digital sólido, utilizável online e offline, a nível grossista e retalista.
No aspecto tecnológico, Lagarde indicou que o investimento na inteligência artificial na Europa está a aumentar a produtividade, sem, contudo, provocar vagas de despedimentos significativas. Pondera-se o impacto económico a médio prazo.
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