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Louis Vuitton usa a designação “made in Portugal” na marroquinaria em couro

Louis Vuitton passa a ostentar “made in Portugal” em itens em pele, elevando Portugal a produtor de luxo na cadeia global de suprimentos

O mocho em couro da Louis Vuitton, que serve para guardar os auscultadores, é feito em Portugal
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  • A Louis Vuitton já ostenta a designação “made in Portugal” em alguns acessórios de couro fabricados no país, embora a montagem final tenha sido, até agora, sobretudo em Itália.
  • A APICCAPS confirma que há produção de pele em Portugal para a marca, incluindo um acessório de pele de 11 cm que custa 800 euros; o preço de exportação e a empresa portuguesa envolvida não foram divulgados.
  • O secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, destacou na Micam que Portugal é o segundo maior mercado mundial pelo preço médio e que o objetivo é evoluir para um setor de valor acrescentado.
  • O sector de artigos de pele português exportou mais de 353 milhões de euros no último ano, com queda de 3,8% face ao anterior, mas aumento de 67,8% desde 2020.
  • A APICCAPS afirma que Portugal já é fornecedor relevante para marcas de luxo internacionais, com clientes como Cartier, Delvaux, Goyard, Lanvin, Longchamp, Loewe e Rolex, e que a Louis Vuitton não confirmou a proveniência das peças.

A Louis Vuitton já inclui a designação made in Portugal em alguns acessórios de couro, aponta a APICCAPS. A associação confirma que, há vários anos, a marca produz componentes em pele em Portugal, com a montagem final maioritariamente em Itália. O anúncio chega numa altura em que o Governo tem vindo a incentivar o país como produtor de luxo.

A mudança foi destacada durante a participação do secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, na feira Micam, em Milão. O autarca sublinhou o potencial de Portugal para criar cadeias de produção de alto valor acrescentado, além de reforçar a posição externa do setor têxtil e de couro.

Paralelamente, a APICCAPS recorda que o acessório em pele da Louis Vuitton, um mocho laranja de 11 cm para auscultadores, ostenta o selo de produção nacional embora o preço público do artigo não tenha sido divulgado. A peça está listada a 800 euros na loja online da marca.

Para Luís Onofre, presidente da associação, o caso demonstra a integração de Portugal na estratégia de cadeias especializadas e de alto valor. O país já dispõe de equipas qualificadas e de processos de qualidade condizentes com padrões de marcas de luxo, sustenta.

A APICCAPS frisa que a Louis Vuitton reforça a confiança no saber fazer português, ajudando a projetar Portugal como fornecedor competitivo no segmento de luxo. A associação ressalva que o reforço da produção nacional contribui para a valorização da indústria de pele.

O PÚBLICO contactou a Louis Vuitton sem obter confirmação sobre a proveniência das peças ou das fábricas em Portugal. Em 2011, a administração local já indicava investimento do grupo em empresas portuguesas do setor, com expansão para várias regiões.

A Louis Vuitton integra a lista de clientes habituais de marcas portuguesas do setor, que inclui Cartier, Delvaux, Goyard, Lanvin, Longchamp, Loewe e Rolex. O setor de artigos em pele envolve mais de 120 empresas e cerca de 4 mil empregos em Portugal.

O objetivo estratégico do setor passa pela elevação do preço médio de exportação, numa altura de crise global no calçado. O acordo entre a UE e a Índia, com eliminação de tarifas, adiciona pressão competitiva sobre o mercado português.

Paulo Gonçalves, diretor executivo da APICCAPS, explica que a subida do preço médio não é imediata, já que o país diversifica investimentos para além do couro. O objetivo é reduzir a dependência de calçado em pele e ampliar para materiais técnicos.

Dados do setor indicam que as exportações portuguesas de artigos em pele cresceram 0,8% em 2025, face a Espanha e Itália, que registaram quedas de 3% e 1% respetivamente. A perspetiva para 2026 ainda não oferece uma recuperação clara, segundo o relatório World Footwear.

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