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Desigualdade económica: o PIB não acompanha o rendimento das famílias

Apesar de o PIB ter crescido 1,9%, o poder de compra em Portugal fica limitado pela subida de habitação e da inflação, com milhões a ganhar menos de 630 euros por mês

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  • No final do ano passado, o PIB de Portugal cresceu 1,9 por cento, acima da União Europeia (1,6 por cento) e da zona euro (1,5 por cento).
  • O poder de compra em Portugal é o sexto pior da UE, com custo de vida abaixo da média comunitária e um rendimento aquisitivo menos da metade de Luxemburgo.
  • Os preços das habitações contribuem para a distância entre o desempenho económico e o bolso das famílias, com subidas de 24 por cento desde 2020; em algumas cidades, empréstimo bancário ou renda consome metade do rendimento disponível.
  • Os salários em Portugal são entre os mais baixos da UE: rendimento médio de 1.054 euros mensais, frente a 2.157 euros na Alemanha e 2.035 euros em Luxemburgo.
  • A produtividade está entre as mais baixas (19.º lugar) e, apesar do PIB mostrar boa performance, muitos portugueses continuam a enfrentar inflação elevada e cerca de dois milhões vivem com menos de 630 euros por mês.

No final do ano passado, a economia portuguesa registou um crescimento de 1,9%, acima da União Europeia (1,6%) e da Zona Euro (1,5%). No entanto, persiste uma distância entre o desempenho do PIB e o que chega ao bolso dos portugueses.

A distância é clara quando se comparam poderes de compra a 27. Portugal ocupa o sexto pior lugar, mesmo com o custo de vida abaixo da média comunitária. O poder de compra é inferior a metade do de Luxemburgo, principalmente devido aos preços das habitações que consomem boa parte do orçamento familiar.

Em algumas cidades, o empréstimo bancário ou a renda representa metade do rendimento disponível no fim do mês. Portugal foi o segundo país com maior valorização dos preços das casas desde 2020, com 24% de subida; apenas a Grécia teve pior evolução.

Poder de compra e rendimento

Os salários em Portugal também pesam no fosso. O rendimento médio fica-se pelos 1054 euros mensais, longe dos 2157 euros na Alemanha e dos 2035 euros em Luxemburgo, de acordo com dados da Pordata divulgados recentemente.

Os indicadores macroeconómicos mostram ainda que Portugal apresenta uma das produtividades mais baixas, ocupando o 19.º lugar na ligação entre produção e resultados. A inflação tem contribuído para manter o custo de vida elevado, mesmo que ainda não tenha aumentado aceleradamente.

A economia cresce, mas muitos portugueses continuam a enfrentar dificuldades. Estima-se que dois milhões de cidadãos vivam com menos de 630 euros por mês, um quadro que persiste apesar da evolução do PIB.

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