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Metade das casas afetadas pela tempestade não tem seguro de fenómenos naturais

ASF alerta para lacuna de proteção: quase metade das casas em calamidade não tem seguro contra tempestades; 42 milhões de euros pagos, de 360 milhões reconhecidos

Danos causados em prédios pela queda de grua durante a tempestade Kristin
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  • Metade das habitações expostas não tinha seguro com cobertura de tempestades e/ou inundações, segundo a ASF, com cerca de quarenta e nine por cento sem proteção em concelhos em estado de calamidade.
  • Seguros multirriscos costumam ser complementares; é necessário avaliar exatamente o que está coberto em cada apólice.
  • A ASF alerta para uma realidade alarmante e cita dados da EIOPA: desde 1980, apenas cinco por cento das perdas de catástrofes naturais estavam seguras, e hoje apenas dezenove por cento das habitações têm cobertura para fenómenos sísmicos.
  • Estimativas indicam indemnizações a pagar até cerca de quinhentos a seiscentos milhões de euros, com quarenta por cento para habitação, vinte e quatro por cento para comércio e trinta e seis por cento para indústria; Leiria está entre os concelhos mais afetados.
  • A ASF trabalha num Sistema Integrado de Proteção contra Catástrofes Naturais; no terreno estão cerca de novecentos peritos, com regularização de sinistros a acelerar e pagamentos rápidos em casos simples. Hoje já foram pagos perto de quarenta e dois milhões de euros, de cento e catorze mil sinistros participados.

Nos últimos temporais que atingiram Portugal, nomeadamente a tempestade Kristin, verificou-se uma baixa cobertura de seguros nas habitações. Cerca de 49% das habitações expostas em concelhos em estado de calamidade não tinham seguro com cobertura de tempestades ou inundações, segundo Gabriel Bernardino, presidente da ASF.

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) alerta para uma realidade preocupante: a maioria das habitações não está protegida contra fenómenos naturais, o que pode atrasar a reconstrução e aumentar o peso económico para famílias e empresas. As coberturas multirriscos variam e nem sempre abrangem tudo.

Em números, as indemnizações pagas pelo sector somam 42 milhões de euros, num total já reconhecido de 360 milhões de euros. O montante é relativo aos 114 mil sinistros participados até à data, segundo dados da APS.

Panorama financeiro e prazos de regularização

A ASF estima que as indemnizações totais podem chegar aos 600 milhões de euros, com a maior parcela a recair sobre habitação, seguida de Comércio e Indústria. Estas projeções refletem a exposição de concelhos mais afetados no distrito de Leiria.

A supervisão recorda que as seguradoras têm seguido orientações para eventos climáticos extremos, com linhas de atendimento ativas e equipas dedicadas à regularização de sinistros. São usados relatórios de peritagem simplificados para acelerar o pagamento.

Resposta institucional e custos de risco

Gabriel Bernardino defende a criação de um Sistema Integrado de Proteção contra Catástrofes Naturais, com participação de cidadãos, empresas, seguradoras, resseguradoras, mercado de capitais e Estado. Estima-se que um grande abalo sísmico poderia provocar perdas superiores a 56 mil milhões de euros, aproximadamente 19% do PIB.

Segundo a ASF, já foram mobilizados cerca de 900 peritos no terreno. Em muitos casos, os sinistros simples são pagos em até 48 horas, com adiantamentos feitos para os processos mais complexos. A regularização tem sido acelerada pela avaliação fotográfica.

Perspetiva para o futuro e proteção da habitação

As autoridades mantêm o objetivo de aumentar a proteção do parque habitacional frente a catástrofes, com foco em cobertura de fenómenos naturais e resiliência estrutural. A ASF continua a monitorizar o desempenho do sector e a promover medidas de mitigação de riscos.

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