- Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, pediu à Europa uma transição para maior autonomia estratégica nas cadeias de abastecimento, por questões de segurança.
- Defendeu que a Europa seja fonte de estabilidade e que dependências de cadeias de abastecimento podem representar vulnerabilidades de segurança num mundo volátil.
- Propõe três eixos: independência, indispensabilidade e diversificação para reduzir dependência externa, fortalecer áreas críticas e dispersar cadeias entre parceiros.
- Segundo dados do BCE, uma quebra de cinquenta por cento no abastecimento de fornecedores distantes pode reduzir o valor acrescentado da indústria transformadora europeia entre dois e três por cento, afetando setores como equipamentos elétricos, químicos e eletrónicos.
- O BCE deve estar preparado para um ambiente mais volátil, com políticas industriais mais assertivas e maior liquidez em euros para evitar stress que afete a transmissão da política monetária.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, pediu este sábado uma transição europeia para ganhos de maior autonomia estratégica nas cadeias de abastecimento. A intervenção ocorreu na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, em que alertou para a necessidade de preparação para um ambiente económico mais volátil.
Lagarde insistiu que a Europa deve tornar-se menos dependente de cadeias externas, promovendo independência, indispensabilidade e diversificação. A ideia é reduzir vulnerabilidades associadas a interrupções globais e a pressões geopolíticas.
A dirigente destacou que o comércio é, hoje, também uma questão de segurança. A Europa tem de funcionar como fonte de estabilidade para si e para parceiros, especialmente em setores críticos. O objetivo é evitar vulnerabilidades que possam afetar a segurança europeia.
Autonomia estratégica e três eixos
Segundo Lagarde, é essencial reconstruir cadeias internas em áreas tecnológicas e de bens críticos. Paralelamente, deve-se fortalecer capacidades indispensáveis e distribuir as cadeias entre vários parceiros para evitar paralisações.
A presidente do BCE sublinhou que a interdependência económica se tornou uma fonte de vulnerabilidade. Perturbações como pandemias ou disputas geopolíticas podem exigir respostas rápidas e resilientes.
Dados apresentados pelo BCE indicam que uma redução de 50% no fornecimento de parceiros distantes poderia diminuir o valor acrescentado da indústria transformadora europeia em 2 a 3%, afectando sectores como equipamentos elétricos, químicos e eletrónicos.
Previsões para a política monetária e liquidez
Lagarde alertou ainda para os riscos de depender exclusivamente do comércio entre alianças. A confiança entre parceiros pode romper-se, exigindo capacidade interna temporária em setores críticos, ainda que com custos superiores.
O BCE precisa manter-se preparado para um ambiente com maior volatilidade. A instituição espera uma política industrial mais assertiva e tensões geopolíticas crescentes, que podem interromper cadeias de abastecimento.
De igual modo, a governança monetária deverá evitar que choques pressione vendas de títulos em euros nos mercados globais. O objetivo é assegurar liquidez em euros para garantir a transmissão eficaz da política monetária.
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