- As receitas do Estado provenientes das indústrias do petróleo e gás caíram para 393 mil milhões de rublos em janeiro, o nível mais baixo desde a pandemia.
- Sanções dos EUA atingiram as duas maiores petroleiras russas (Rosneft e Lukoil) e a UE proibiu combustíveis produzidos a partir de crude russo; possível proibição total de serviços de transporte marítimo de petróleo russo.
- O petróleo russo vende-se com desconto significativo, em torno de 25 dólares por barril, para compensar o risco de sanções e dificuldades de pagamento.
- A economia russa desacelera, com o produto interno bruto a crescer apenas 0,1% no terceiro trimestre e previsões entre 0,6% e 0,9% para este ano.
- O Kremlin tem aumentado impostos (valor acrescentado) e recorrido a empréstimos junto de bancos nacionais, mantendo o orçamento estável, mas com riscos de inflação e de menor crescimento.
A Rússia continua a enfrentar uma quebra nas receitas do petróleo e do gás, alimentada por sanções internacionais e por um abrandamento económico. O Kremlin tenta manter o equilíbrio orçamental através de impostos mais elevados e de maior endividamento, num contexto de guerra na Ucrânia.
As exportações de hidrocarbonetos vinham a sustentar as contas estatais, mas registaram quedas significativas à medida que se aproxima o quarto aniversário da invasão. Em janeiro, a receita fiscal da indústria petrolífera caiu para 393 mil milhões de rublos, abaixo de dezembro (587 mil milhões) e de janeiro de 2025 (1,12 biliões).
Sanções em prática e impacto económico
As medidas dos EUA, desde 21 de novembro, visam as maiores petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, com bancos impedidos de operar com entidades associadas às duas companhias. Em 21 de janeiro, a UE proibiu combustíveis produzidos a partir de crude russo, restringindo a refinaria e o envio de derivados para a Europa.
Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs a proibição total dos serviços de transporte marítimo de petróleo russo. O objetivo é pressionar a Rússia para parar os combates na Ucrânia.
Efeitos no comércio com a Índia e evolução do mercado
Os carregamentos russos para a Índia diminuíram, passando de 2 milhões de barris/dia em outubro para 1,3 milhão em dezembro, segundo fontes da Escola de Economia de Kiev e a Administração de Informação sobre Energia dos EUA. A Índia continua, porém, dependente de petróleo russo a curto prazo, segundo analistas.
Os compradores reduzem descontos para compensar o risco de sanções, com o petróleo russo a enfrentar descontos de cerca de 25 dólares por barril em dezembro. Os preços do Urals evidenciam a queda efetiva nas receitas do Estado, que estão indexadas ao valor do crude.
Perspectivas económicas e resposta do Kremlin
O crescimento económico russo permanece frágil, com o PIB a subir apenas 0,1% no terceiro trimestre. As previsões para o ano variam entre 0,6% e 0,9%. O governo busca financiar-se com impostos mais altos e maior endividamento, enquanto o fundo soberano tenta esconder lacunas orçamentais.
O imposto sobre o valor acrescentado subiu de 20% para 22%, e aumentos incidirem também sobre importações de automóveis, cigarros e álcool. O cenário económico pode influenciar a estratégia do Kremlin na guerra, com possíveis ajustes na intensidade do conflito para conter custos.
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