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Sector segurador em Portugal expõe mil milhões de euros a riscos climáticos

Exposição do sector segurador a riscos climáticos atinge 1,010 biliões de euros em 2024, subindo 11,7%, com lacunas de protecção e apelo a resiliência partilhada

Destruição causada numa empresa em Pombal pela depressão Kristin
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  • A exposição do sector segurador a riscos climáticos atingiu 1,010 biliões de euros em 2024, impulsionada por apólices de incêndio e multirriscos.
  • A habitação e cobertura de edifícios é o segmento com maior exposição, estimando-se 716,7 mil milhões de euros.
  • A maior parte do capital seguro encontra-se em zonas de perigosidade nula ou muito baixa para incêndio rural, mas persistem concentrações de risco médio a muito alto no interior e no centro do país.
  • No risco de inundação, a maioria do capital seguro situa-se em zonas de risco globalmente moderado.
  • A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões recomenda mecanismos de resiliência partilhada envolvendo stakeholders e o Estado, para reduzir lacunas de cobertura e reforçar a proteção financeira da sociedade.

Os seguros em Portugal enfrentam riscos climáticos crescentes, ajudados pela exposição em apólices de incêndio e multirriscos. Em 2024, o volume de capital segurado subiu 11,7% e atingiu 1,010 biliões de euros, segundo a ASF. A subida ocorre em parte devido a eventos climáticos recentes, como a tempestade Kristin.

A habitação e a cobertura de edifícios representam a fatia mais significativa da exposição, com 716,7 mil milhões de euros. Seguida pelo comércio, serviços e pela indústria, conforme o relatório anual, divulgado pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.

A análise por classe de risco mostra que a maior parte do capital se situa em zonas de perigosidade nula ou muito baixa para incêndio rural, mas persistem concentrações de risco médio a muito alto no interior e centro do país. Para inundações, a maior parte está em regiões com risco moderado.

Risco e distribuição setorial

O relatório aponta que uma parte substancial dos agentes económicos não dispõe de proteção seguradora face a riscos climáticos físicos. A ASF destaca ainda a necessidade de reforçar a resiliência das coberturas e a disponibilidade de respostas a perdas excecionais para famílias, empresas e o próprio setor segurador.

Gabriel Bernardino, presidente da ASF, sublinha a importância de mecanismos de resiliência partilhada que envolvam diversos intervenientes e o Estado, visando a mutualização de risco e maior proteção financeira da sociedade. O documento reforça a relevância da resiliência financeira e estrutural a nível nacional.

Exposição dos fundos de pensões

No que diz respeito aos fundos de pensões, a ASF nota melhoria anual nas posições de dívida soberana e dívida privada. Ainda assim, identifica alguma vulnerabilidade em posições acionistas, associada aos riscos climáticos presentes nas carteiras de investimento.

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