- O ouro voltou a superar os 5.300 dólares por onça, tendo chegado a 5.311 dólares, com valorização superior a 22% desde o início do ano.
- O quadro acompanha a desvalorização do dólar e a expectativa em torno das decisões da Reserva Federal dos EUA sobre as taxas de juro.
- Análises apontam que incerteza política, cortes de juro e dúvidas sobre a independência da Fed estão a impulsionar o ouro como ativo de refúgio.
- Vendas de retalho e a fraqueza do dólar ajudam a sustentar o movimento, com o preço do ouro a ser visto também como proteção em cenários de instabilidade cambial.
- Vários bancos relevantes projetam níveis altos para o metal: Deutsche Bank até 6.000 dólares em 2026; Société Générale, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citi Research também apresentam cenários acima dos cinco mil dólares.
O ouro voltou a bater recordes nesta quarta-feira, negociando acima dos 5.300 dólares por onça, após já ter superado os 5.200 dólares nas sessões anteriores. Chegou a tocar 5.311 dólares, prolongando uma subida que já soma mais de 22% desde o início do ano, depois de terminar 2025 em 4.319 dólares.
O movimento acontece num contexto de desvalorização do dólar, que atingiu mínimos de vários anos, e de expectativa sobre as decisões da Reserva Federal dos EUA sobre as taxas de juro. Observadores apontam ainda para dúvidas sobre a independência do banco central, após ataques públicos do presidente Donald Trump a Jerome Powell.
Analistas indicam que a combinação de instabilidade política e perspetivas de cortes adicionais de juros acelera a entrada de capital no ouro, especialmente de investidores de retalho. O metal continua a ser visto como reserva de valor em cenários de incerteza monetária e cambial.
O enfraquecimento do dólar também ajuda o metal precioso, segundo consultores de mercado. Alguns especialistas destacam que a procura por ativos defensivos aumenta em regimes de volatilidade e quando a política monetária se torna mais acomodativa.
Perspectivas de preço
Dados de grandes bancos sugerem caminhos elevados para o ouro em 2026. O Deutsche Bank projeta preço próximo de 6.000 dólares por onça, com cenários que podem chegar a 6.900 dólares. A Société Générale partilha da aposta em 6.000 dólares até ao final do ano.
Outras instituições apresentam visões igualmente otimistas. A Goldman Sachs elevou a previsão para 5.400 dólares ao longo de 2026, enquanto a Morgan Stanley aponta para 5.700 dólares na segunda metade do ano. O Citi Research prevê um alvo de curto prazo de 5.000 dólares.
Após 2025 histórico, com valorização superior a 65%, o início de 2026 reforça o papel do ouro como proteção para investidores e bancos centrais. A conjuntura inclui política monetária internacional, tensões geopolíticas e um dólar fraco, mantendo o metal no centro das atenções.
A prata acompanha a tendência mas ainda não atingiu novos máximos, negociando perto de 114 dólares por onça, com toques recentes a 117 dólares, refletindo a procura por ativos defensivos.
Com Conor Murray/Forbes Internacional e Lusa
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