- A Europa perde talentos de IA para os EUA, Reino Unido e Golfo, apesar de ter universidades fortes e investigação de topo.
- Dados mostram que a Europa tem cerca de 30% mais talentos de IA per capita que os Estados Unidos, mas regista saída líquida de profissionais séniores.
- A diferença salarial explica parte da fuga: engenheiros de IA nos EUA recebem entre 140 mil e 210 mil dólares, com pacotes de ações; na Europa Ocidental/Norte ficam entre 90 mil e 150 mil dólares.
- A regulação, o financiamento e a falta de escalabilidade na UE dificultam a retenção e o crescimento de startups de IA, em comparação com o ecossistema americano.
- A UE tem criado medidas para atrair e reter talentos, incluindo a reserva de talentos para trabalhadores de terceiros países e o programa Choose Europe, com apoio a investigadores internacionais.
A Europa enfrenta a fuga de cérebros na IA, com investigadores, engenheiros e fundadores a partir para já fora, especialmente para os Estados Unidos, Reino Unido e países do Golfo. Apesar de universidades fortes e investigação de topo, não consegue transformar estas vantagens numa liderança mundial em IA.
Dados recentes evidenciam o desafio: a Europa tem 30% mais talentos de IA per capita que os EUA, e quase três vezes mais que a China, mas regista uma saída líquida de profissionais seniores para o estrangeiro. Estima-se que muitos não regressem, agravando o fosso tecnológico.
Um relatório de 2024 da Interface aponta que os países europeus perdem talentos significativos de IA para os EUA, com a Alemanha a enviar muitos profissionais e a França a ter mais saídas do que entradas. Suíça e Alemanha atraem alguns talentos regionais, mas também perdem para o exterior.
Os dados da Atomico em 2025 pintam um quadro paralelo: fluxos líquidos de talento tecnológico para a Europa caíram de 52 mil em 2022 para 26 mil em 2024, sinalizando menor atratividade relativa face a destinos como EUA, Canadá e Austrália.
Fatores que mantêm o êxodo
A formação de IA na Europa é alta, mas a mobilidade é elevada: 57% dos profissionais de IA formaram-se fora da Europa, enquanto nos EUA a percentagem é de 38%. Em países como Irlanda e Reino Unido, um terço a quase um quinto dos profissionais têm licenciaturas oriundas de mercados fora da Europa.
A remuneração é um fator decisivo. Salários na IA nos EUA costumam exceder a Europa em 30% a 70% para posições equivalentes, com salários base de 140 mil a 210 mil dólares no mercado norte-americano, frente a 90 mil a 150 mil na Europa Ocidental. Modelos de compensação com ações permanecem menos comuns na Europa.
O papel da configuração de mercado e da regulamentação
Além da remuneração, a localização de hubs de IA nos EUA, grandes laboratórios e capacidade de computação atraem investigadores que desejam trabalhar com modelos de fronteira e grandes volumes de dados. A Europa, embora forte em educação e ciência, é mais fragmentada na cooperação entre universidades, indústria e capacidades de computing em grande escala.
A UE tem avançado com iniciativas para atrair e reter talentos, incluindo uma recomendação para um quadro europeu de gestão de mobilidade de investigadores, além de programas como Choose Europe e parcerias de talento. Estas medidas visam simplificar a mobilidade e apoiar carreiras de investigadores de IA no território.
O caminho a seguir
Firmar uma presença europeia mais sustentável depende de reduzir a fragmentação entre Estados-Membros, simplificar incentivos fiscais e acelerar contratos públicos. A bolha de financiamento para startups de IA na Europa é frequentemente mais cautelosa e menos capaz de sustentar rondas de investimento finais comparadas com os EUA.
Danças de mobilidade intraeuropeia também persistem: Suíça e outros países menores atraem talentos, mas a saída para os EUA permanece uma tendência consistente, especialmente entre profissionais seniores. A Alemanha é um exemplo, com saída de especialistas para EUA, Reino Unido e Suíça.
Reforçar a atratividade na prática
O conjunto de ações a curto prazo inclui acolhimento de mão de obra internacional, vias mais rápidas de licenciamento e maior apoio a fundadores. A cooperação entre Estados-Membros, a simplificação regulatória e o reforço de programas de financiamento podem facilitar a expansão de startups e a retenção de talento neste sector estratégico.
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