- A aplicação UdenUSA, criada por Jonas Piper e Malthe Hensberg, tornou‑se uma das mais descarregadas na App Store da Dinamarca.
- A app questiona: “Está a apoiar Trump quando faz compras?”, lê os produtos pela câmara e indica a origem, sugerindo alternativas de países que não os Estados Unidos.
- O projeto nasceu depois de descobrir um grupo no Facebook com mais de cem mil seguidores que apelava ao boicote aos EUA; Piper trabalha numa mercearia e está em ano sabático.
- Economista do Danske Bank explica que apenas entre 1,1% e 1,2% do consumo alimentar dinamarquês provém diretamente dos EUA, o que complica medir o impacto real de boicotes.
- Os boicotes concentram‑se em bens de consumo, deixando de fora serviços digitais e tecnologia, setores em que a influência norte‑americana é mais relevante.
A aplicação UdenUSA, criada na Dinamarca, ascende aos tops de downloads ao atuar como boicote aos produtos norte‑americanos. O programa, desenvolvido por Jonas Piper e Malthe Hensberg, analisa rótulos via telemóvel para indicar origem e sugerir alternativas, sem impor obrigatoriedade aos utilizadores.
Desconstrói a origem dos itens quando apenas alguns produtos são produzidos fora dos EUA. Piper, 21 anos, encontra‑se em ano sabático e trabalha numa mercearia local; a ideia surgiu após contacto com um grupo de apoio ao boicote aos EUA no Facebook, com mais de 100 mil membros.
A aplicação lança o questionamento central aos utilizadores: está a apoiar Trump com as suas compras? O app está entre as quatro mais populares na App Store da Dinamarca, lendo os produtos pela câmara e apresentando alternativas de outros países, com humor na mensagem exibida durante a leitura.
Apesar do cariz educativo, a equipa insiste que a ferramenta não obriga ao boicote, apenas oferece clareza sobre a origem dos itens para que o consumidor decida o que fazer. O objetivo é informar, não impor uma posição.
Dados indicam que o peso real dos alimentos importados diretamente dos EUA é baixo. Uma economista do Danske Bank aponta que apenas entre 1,1% e 1,2% do consumo alimentar dinamarquês vem diretamente dos EUA, o que complica medir impactos de boicotes amplos.
A especialista sustenta que muitas marcas consideradas americanas não são produzidas nos EUA, o que dificulta recolher dados precisos. Além disso, as cadeias de abastecimento globais tornam efeitos de boicotes menos lineares do que outrora.
Confiando nos hábitos de consumo diário, as apps de boicote não abordam áreas-chave de comércio com os EUA, como serviços digitais e tecnologia. Mesmo assim, plataformas de apps que permitem o uso de UdenUSA reforçam a relevância do fenómeno na Dinamarca.
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