- O economista Michael Theurer, membro do Conselho Executivo do Bundesbank, afirma que muitos bancos da zona euro detêm quantidades desproporcionais de dívida pública, o que pode transformar problemas fiscais em crises bancárias se a dívida perder valor.
- Em causa está o nexo entre soberanos e bancos, que, segundo Theurer, pode levar a recapitalizações governamentais e a uma subida de custos de financiamento, agravando a situação fiscal e provocando venda de títulos.
- No Financial Times, o dirigente pede à União Europeia que reduza o favorecimento do mercado interno pela banca europeia e alinha regras com padrões globais para evitar inação.
- Propõe eliminar privilégios regulatórios sobre exposições à dívida pública, tratando-a como outros ativos, com exigências de capital baseadas no risco e limites por tomador consoante o capital próprio do banco.
- O economista recorda o caso de Portugal entre 2010 e 2011 para ilustrar o doom loop e afirma que as reformas até agora falharam devido à resistência de interessados e ao receio de custos de financiamento.
Michael Theurer, membro do Conselho Executivo do Bundesbank, aponta que muitos bancos da zona euro detêm quantidades desproporcionais de dívida pública emitida pelos seus governos. A situação pode transformar problemas fiscais em crises bancárias se a dívida perder valor.
Segundo o economista, o cenário pode levar a que governos integrem planos de recapitalização de bancos em dificuldade, agravando a pressão fiscal e desencadeando uma onda de venda de títulos. O artigo foi publicado no Financial Times.
Theurer defende que a União Europeia reduza o favorecimento do mercado interno pela banca europeia, sob o risco de atrasar a conclusão da União Bancária. O autor sustenta que padrões globais sobre exposições soberanas são difíceis de fixar, mas não devem atrasar ações da Eurozona.
Propostas para a arquitetura financeira
O responsável sugere eliminar privilégios regulatórios que favorecem a dívida soberana. Defende tratar esses ativos como outros empréstimos, com capitalização ponderada pelo risco e limites por tomador, conforme o capital próprio do banco.
Além disso, propõe exigir mais capital para exposições a nações com alta dívida, limitando posições acima de determinada percentagem do capital do banco. A ideia é reduzir o nexo entre estados e bancos na gestão de crises fiscais.
Contexto e referências históricas
Theurer alerta para efeitos de regulamentos amplos que não modernizam o sistema. Recorda ainda Portugal entre 2010 e 2011, quando bancos compraram grandes quantidades de dívida pública durante a crise, alimentando o doom loop com liquidez do BCE.
O comentador ressalva que soluções atuais não atingiram o objetivo de reduzir privilégios, enfrentando resistência de partes interessadas. Para ele, reformas são necessárias para evitar novos ciclos de instabilidade.
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