- O Governo prevê produzir mais de 1.723 quilogramas de ouro em 2026, um novo recorde, impulsionado pelo desempenho de duas grandes empresas e expansão da capacidade produtiva.
- A estimativa para 2025 é de 1.651 quilogramas, já acima de 2024, com Manica a concentrar boa parte da mineração e impactos de protestos pós-eleitorais na região.
- Em 30 de setembro, o governo suspendeu todas as licenças de mineração em Manica e criou uma comissão interministerial para rever o regime de licenciamento, aumentar a fiscalização e promover recuperação ambiental.
- O presidente Daniel Chapo qualificou a mineração na província como um “desastre ambiental”; auditorias detectaram descontrole, violações de planos de recuperação e riscos de segurança, com participação de operadores estrangeiros e redes paralelas de comércio.
- Em 2024, 44% do ouro produzido foi exportado; a meta é chegar a 45% em 2025 e 85% até 2029, acordo com dados oficiais.
A região de Manica, centro de Moçambique, vive um momento de reajuste na atividade mineira. Em 2024-2025, o setor tem mostrado crescimento, apoiado por grandes operadores e investimentos na expansão da capacidade produtiva. Para 2025, o Governo projeta produzir 1.651 kg de ouro, com 1.723 kg estimados para 2026, caso se mantenha o ritmo atual.
A produção moçambicana depende fortemente de Manica, onde se concentram grande parte das operações. Em 2024, o setor já enfrentou entraves decorrentes de protestos pós-eleitorais e restrições operacionais, fatores que pesavam sobre o desempenho das empresas do setor.
Em 30 de setembro, o Governo suspendeu todas as licenças de mineração em Manica e criou uma comissão interministerial para rever o regime de licenciamento, intensificar a fiscalização e promover a recuperação ambiental. A medida abrange operadoras licenciadas e aquelas que operam de forma irregular.
Medidas e consequências
O porta-voz do Conselho de Ministros afirmou que a suspensão é global, com o objetivo de estancar a degradação ambiental e permitir a reorganização institucional para uma operação mais sustentável. O Presidente Daniel Chapo descreveu a mineração na província como um grave problema ambiental, com auditorias a apontarem descontrole, falhas em planos de recuperação e riscos de segurança.
Contexto ambiental e supervisão
Relatórios indicaram mineração descontrolada, com empresas sem planos de recuperação ambiental e falhas na gestão de resíduos. Também foram identificados grupos estrangeiros em rotas informais, ligados a redes paralelas de comércio de ouro e à insegurança pública. A situação levou à verificação de águas rivers com poluição e resíduos sem tratamento adequado.
Composição da comissão e próximos passos
A comissão interministerial envolve Ministérios da Defesa, Recursos Minerais e Energia, Interior, Negócios Estrangeiros e Cooperação, Finanças, Economia, Agricultura, Ambiente e Pesca, Saúde, Justiça, Trabalho e Ação Social. Os próximos passos incluem reforçar licenciamento, fiscalização e medidas de recuperação ambiental, com foco na reorganização institucional.
Entre na conversa da comunidade