- Investigadores em Badajoz, no sítio tartéssico de Casas del Turuñuelo, descobriram um carro votivo em bronze, único na Península Ibérica, bem conservado e com decoração figurativa distinta.
- A peça, possivelmente usada para queimar incenso em rituais, terá sido fabricada na Grécia ou na Etrúria, com confirmação a confirmar por análise isotópica.
- Junto do bronze, foram recuperados alabastro, cerâmica e mais de duzentos fragmentos de marfim de Grécia e do Egito, evidenciando ligações comerciais significativas.
- A descoberta integra a oitava campanha de escavações (abril e maio), centrada no túmulo grande de sessenta metros de altura, pertencente a uma construção tartéssica do final do século V a.C.
- O achado demonstra uma rede comercial mediterrânica e o poder de compra dos tartésios, com peças localizadas no interior do vale do Guadiana, longe de portos.
O estudo de Casas del Turuñuelo, em Badajoz, revelou um carro votivo em bronze, único na Península Ibérica, bem conservado e com decoração figurativa. A peça, possivelmente usada em rituais de incenso, pode ter origem grega ou etrusca.
A descoberta ocorreu durante a oitava campanha de escavações, em abril e maio, liderada pelo Instituto de Arqueologia de Mérida, ligado ao CSIC e ao Governo Regional da Estremadura. Os trabalhos concentram-se no túmulo de 90 metros de diâmetro.
Juntamente com o carro, foram encontrados cerâmica, alabastro e marfim da Grécia e do Egito, evidenciando ligações comerciais. A peça foi recuperada junto à sala de banquetes, associada a rituais de festas antigas.
Detalhes da peça e contextos
Metade do objeto foi recuperada, com uma decoração que mostra Aqueloo e dois grifos, além de figuras humanas nas extremidades. A função exata está em estudo, mas pode estar ligada a banquetes rituais.
A escavação também revelou dois braseiros de bronze, um caldeirão e pegas de um podaníptero para lavar os pés antes de rituais. Fragmentos de marfim com motivos mitológicos ajudam a entender o repertório artístico.
Fragmentos de alabastro e mais de duas centenas de peças de marfim, com motivos de aves, cabras e leões, foram encontrados. A equipa planeia reconstruí-los nos próximos meses.
A investigação permitiu documentar novas divisões e vias de circulação no complexo tartéssico, ampliando o conhecimento sobre a arquitetura do sítio. A localização do achado indica uma rede comercial complexa.
Desde o início das escavações, em 2015, já foram encontradas representações humanas de Tartessos e uma placa com cenas de guerreiros gravada em ardósia, além de um alfabeto paleohispânico meridional.
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