Em Alta Copa do Mundo futeboldesportoPortugalinternacionaisgoverno

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Equipa portuguesa participa em descoberta de ADN pré-histórico na arte rupestre

Descoberta mundial de ADN humano antigo preservado em paredes de grutas, com a Gruta do Escoural a fornecer amostras-chave e abrir nova frente na arqueogenética

Foto: Equipa First-Art
0:00
Carregando...
0:00
  • Uma equipa portuguesa participou na primeira descoberta mundial de ADN humano antigo preservado em paredes de grutas, com a Gruta do Escoural, em Montemor-o-Novo, a fornecer algumas das amostras mais relevantes.
  • O estudo internacional, publicado na Nature Communications, analisou 54 amostras recolhidas em 24 painéis de arte rupestre de 11 grutas da Península Ibérica, incluindo o Escoural, onde três amostras tinham ADN humano autêntico.
  • Uma amostra recolhida numa crosta de calcite pigmentada continha ADN humano, sem ADN animal, sugerindo deposição direta por contacto humano com a parede.
  • A investigadora Sara Garcês afirma que a descoberta pode mudar a forma de interpretar vestígios arqueológicos, passando da arqueologia dos objetos para a arqueologia dos gestos e dos seus significados.
  • O estudo integra o projeto First-Art, coordenado por Hipólito Collado, com colaboração do Instituto Max Planck e envolve equipas de Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido e China.

A equipa portuguesa participou na primeira descoberta mundial de ADN humano antigo preservado em paredes de grutas pré-históricas. A Gruta do Escoural, em Montemor-o-Novo, forneceu amostras relevantes para o estudo divulgado esta semana.

O trabalho integra um estudo internacional publicado na Nature Communications. Mostra que vestígios genéticos humanos podem sobreviver milénios nas superfícies rochosas, abrindo novas vias para compreender comunidades pré-históricas.

A pesquisa envolveu cientistas de Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido e China. Analisou 54 amostras de 24 painéis de arte rupestre em 11 grutas da Península Ibérica, incluindo Escoural.

Três das cinco amostras com ADN humano autêntico foram encontradas no Escoural, considerado o único sítio com arte paleolítica em contexto cavernícola em Portugal.

O estudo destaca que uma amostra numa crosta de calcite pigmentada continha ADN humano, sem ADN animal, sugerindo deposição direta pela interação humana com a parede.

Entre os autores, a equipa de Sara Garcês, do ITM de Mação e IPT, aponta que o achado muda a forma de interpretar vestígios arqueológicos, passando a enfatizar o gesto humano na ocupação da gruta.

A descoberta sugere que a Gruta do Escoural não era apenas contemplativa, revelando uma relação física entre grupos humanos e aquele espaço subterrâneo, com marcas biológicas na pedra.

Protocolo e perspetivas

O projeto First-Art, coordenado por Hipólito Collado, incluiu colaboração com o Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva. A análise genética amplia os trabalhos sobre arte rupestre sem depender apenas de esqueletos ou sedimentos.

Os autores consideram que a abordagem abre uma nova linha de investigação em arqueologia e paleogenética, ajudando a identificar características biológicas de populações que frequentaram grutas ao longo do tempo.

A equipa do ITM, que contou com Luiz Oosterbeek, Hugo Gomes, Pierluigi Rosina e Virginia Lattao, continua a trabalhar no terreno para consolidar o protocolo em contextos diversos, em Portugal e no estrangeiro.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais