- Investigadores da Universidade de Cambridge identificaram três subtipos biológicos de pneumonia grave, chamados “pneumotipos”.
- O estudo, divulgado na Nature Communications, sugere que estes subtipos influenciam a recuperação dos doentes e a duração da ventilação mecânica.
- O pneumotipo mais comum representa quase metade dos casos (49%) e envolve imunodepressão, danos no revestimento pulmonar e hemorragia alveolar, com menos sinais de inflamação.
- O segundo pneumotipo, com cerca de 23% dos casos, apresenta resposta imunitária equilibrada e reparação pulmonar ativa, associando-se a recuperação mais rápida.
- O terceiro pneumotipo, o mais grave, permanece por mais tempo em ventilação mecânica e envolve inflamação grave; pode responder melhor a terapias anti-inflamatórias.
Investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, identificaram três subtipos biológicos da pneumonia grave. O estudo, divulgado na Nature Communications, pode facilitar tratamentos personalizados para pacientes internados em UCI com pneumonia grave.
Segundo o estudo, os casos graves representam uma parte relevante das infeções tratadas em unidades de cuidados intensivos, com prognósticos diferentes entre doentes. A pneumonia explica cerca de 2,5 milhões de óbitos anuais a nível mundial, destaca a universidade a partir de dados divulgados pela EurekAlert!.
Na prática clínica, os sintomas incluem febre ou temperatura baixa, baixa oxigenação, dificuldade respiratória e confusão mental. Em situações graves, muitos pacientes requerem ventilação mecânica, aumentando a gravidade e a duração da internamento.
Os investigadores recrutaram doentes com suspeita de pneumonia grave no Hospital Addenbrooke’s, associando análises de sangue, tomografias, sinais inflamatórios, células imunitárias e atividade genética no fluido pulmonar. Assim nasceram os três pneumotipos distintos.
O tipo mais frequente, presente em 49% dos casos, mostrou imunodepressão, danos no revestimento pulmonar e hemorragia alveolar, com sinais de inflamação moderados. Este perfil pode explicar falhas ou prejuízos de terapias anti-inflamatórias em alguns pacientes.
O segundo pneumotipo, com cerca de 23% dos casos, distinguiu-se por uma resposta imunitária equilibrada e reparação pulmonar ativa, associando maior probabilidade de recuperação rápida e menos tempo de ventilação.
O terceiro pneumotipo, o mais grave, corresponde a uma pneumonia clássica com inflamação intensa, prolongando a ventilação e o quadro crítico. Este grupo pode responder melhor a terapias anti-inflamatórias direcionadas.
O estudo sublinha que, à primeira vista, os doentes parecem ter patologia semelhante, mas os desfechos divergem quando se analisa a inflamação a nível biológico. A equipa enfatiza que a pneumonia grave é um conjunto de condições distintas, não uma única doença.
Mark Jeffrey, do Departamento de Medicina, reforça que descobertas só surgiram ao observar padrões de inflamação. A classificação rápida com base em biomarcadores é ainda complexa, mas a equipa pretende criar uma ferramenta simplificada para estratificar doentes e orientar terapias personalizadas.
Vilas Navapurkar, intensivista do Hospital Addenbrooke’s, afirma que saber o subtipo de pneumonia permite personalizar o tratamento, fortalecendo a resposta imunitária ou moderando a inflamação prejudicial. O objetivo é reduzir mortes, diminuir o tempo de internamento e otimizar o uso de antibióticos.
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