- O Irão saudou progressos na primeira ronda de conversações diretas com os EUA, com mediação do Paquistão e do Qatar.
- As negociações, que decorreram na Suíça, visam um fim definitivo à guerra e criaram uma “célula de desconflitualização” para tratar dos combates no Líbano.
- Não está claro se tais medidas serão suficientes para pôr fim aos confrontos entre o Hezbollah, apoiado pelo Irão, e Israel.
- O processo terá um período de sessenta dias e incluiu contactos entre o Irão e os negociadores norte-americanos; Donald Trump criticou o Irão nas redes sociais, o que dificultou as negociações.
- O Irão encerrou temporariamente o estreito de Ormuz no fim de semana, apesar de os EUA garantirem que o tráfego continuou, e debates sobre mecanismos para manter o estreito aberto e um cessar-fogo no Líbano estão em curso.
O Irão saudou avanços na primeira ronda de negociações diretas com os Estados Unidos, mediadas por Paquistão e Qatar. As negociações, que decorrem na Suíça, tinham como objetivo um acordo definitivo para terminar o conflito e facilitar a cessação de hostilidades no Líbano e na região.
Os representantes iranianos destacaram progressos considerados significativos na mediação, enquanto os EUA não fizeram comentários imediatos ao conteúdo do acordo-quadro inicial. O Irão sinalizou que a célula de desconflitualização entre Teerão e Washington deverá gerir os combates no Líbano, com participação do governo libanês.
A negociação começou há seis dias, com a perspetiva de prolongar-se durante a semana seguinte em níveis mais baixos. O objetivo é chegar a um acordo permanente para pôr fim à ofensiva norte-americano-israelita que teve início em fevereiro, com uma trégua frágil desde abril.
Segundo comunicados dos mediadores, a célula de desconflitualização incluiria também mecanismos para garantir o fim das operações militares no Líbano e evitar novas escaladas. A viabilidade de um cessar-fogo entre Hezbollah e Israel permanece incerta.
As conversações ocorreram numa conjuntura de elevada tensão regional. O Irão tem reiterado que o Líbano continua a ser ponto central de qualquer acordo que vise limitar as hostilidades na região, incluindo o estreito de Ormuz, pelo qual passa uma parcela significativa do petróleo mundial.
Durante o fim de semana, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, prática que deixou de facto a qualidade de passagem de tráfego, segundo apuramentos. Os EUA não confirmaram a suspensão do tráfego, mantendo a comunicação sobre a continuidade das operações comerciais na região.
As negociações contam com a participação de altas figuras norte-americanas, incluindo o vice-presidente e negociadores. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que o papel de Paquistão e Qatar foi determinante para os progressos e que o primeiro teste será se a célula de desconflitualização consegue travar os combates no Líbano.
A agenda prevê um processo diplomático com uma duração de 60 dias, que visa chegar a um acordo definitivo para pôr fim à ofensiva contra Teerão iniciada em fevereiro. Entre os temas em debate estão mecanismos de confirmação do cumprimento do cessar-fogo no sul do Líbano e questões nucleares em aberto.
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