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França: cidade cancela peça sobre refugiados Passeport

Cancelamento da peça Passeport, em Castres, pelo presidente da câmara de extrema-direita, desencadeia protestos e debate sobre liberdade criativa

Cancelado espetáculo de «Passeport», de Alexis Michalik, em Castres pelo novo presidente da câmara de extrema-direita
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  • O espetáculo Passeport, de Alexis Michalik, foi cancelado para Castres (februário de 2027) pelo novo presidente da câmara, Florian Azéma, do Reagrupamento Nacional.
  • A decisão, anunciada a 10 de junho, baseia-se na oposição do autarca a uma peça que aborda imigração e visão policial, alegando não reflectir as suas convicções.
  • Centenas de pessoas manifestaram-se junto ao teatro no sul de França, em apoio a Michalik, que recebeu apoios de figuras culturais e da ministra da Cultura.
  • Castres é uma das cidades conquistadas pelo RN nas eleições municipais de 2026; críticas à gestão da cultura por parte de figuras da extrema-direita têm ganho destaque.
  • Enquanto não sobe em Castres, a peça continua em cartaz no Théâtre de la Renaissance, em Paris, com desconto de 50% para residentes em Castres; há possibilidades de apresentação em dezembro ou janeiro noutra região.

O espetáculo Passeport, de Alexis Michalik, foi cancelado em Castres, no sul de França, a pedido dos recém-eleitos responsáveis do RN, partido de extrema-direita. A decisão ocorreu pouco antes da apresentação prevista para fevereiro de 2027.

A reação foi rápida: centenas de pessoas reuniram-se na frente do Théâtre de la Renaissance para protestar contra o cancelamento. Michalik descreveu o ato como uma decisão tomada de forma tardia, influenciada pela nova liderança municipal.

Passeport, estreada em 2024, acompanha Issa, um jovem refugiado da Eritreia em busca de autorização de residência, abordando temas de exílio, identidade e integração. O autarca de Castres justificou a decisão com base em convicções políticas e críticas ao conteúdo apresentado.

Repercussões e contexto

Florian Azéma, presidente da câmara de Castres, afirmou ter o direito de revertar decisões tomadas pela antiga maioria. O tema gerou debate sobre a gestão da cultura pela extrema-direita e a liberdade artística.

Michalik recebeu apoio público, incluindo da ministra da Cultura, que destacou a importância da liberdade criativa. O Festival d’Avignon expressou solidariedade ao dramaturgo, dizendo que não trabalharia com elegíveis do RN.

Apesar do cancelamento em Castres, a temporada de Passeport continua em Paris, com descontos de 50% para públicos de Castres. Houve propostas para uma apresentação especial no sul do país em janeiro.

O debate em torno da cultura e da liberdade de criação ganhou atenção local e nacional, com críticos e artistas enfatizando a necessidade de manter a autonomia artística frente a pressões políticas.

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