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Magalhães, de Lav Diaz, inspira sonho belo

Lav Díaz retrata Magalhães como o “outro” e invasor, desconstruindo a epopeia tradicional e questionando a visão eurocêntrica do navegador

Magalhães não faz a mínima concessão ao “gosto popular”
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  • Lav Diaz, cineasta filipino, filma Fernão de Magalhães com Gael García Bernal, apresentando-o como “outro” que não é possível compreender nem conhecer.
  • O filme Magalhães não é uma epopeia; tem duração de 2h43.
  • Diaz não entrega uma narrativa hagiográfica nem uma visão tradicional da expedição: Magalhães é retratado como invasor que perturba o éden das Molucas.
  • O foco está nos últimos dez anos de Magalhães, desde Malaca até Lisboa, Sevilha e Cebu.
  • A obra convida a olhar para Magalhães pela perspetiva de quem o observava nos territórios que atravessou.

Lav Diaz, cineasta filipino conhecido pela sua abordagem imersiva, apresenta Magalhães, um filme centrado em Fernão de Magalhães. Gael García Bernal interpreta o explorador numa produção que não se apresenta como epopeia convencional. O filme tem duração de 2h43.

Magalhães não é uma epopeia hagiográfica. Diaz propõe uma leitura crítica do navegante, explorando-o como um “outro” que não é plenamente compreendido nem conhecido. A obra coloca Magalhães no centro de tensões entre conquista, Igreja e culturas indígenas.

A narrativa acompanha os últimos anos de Magalhães, desde Malaca até Lisboa, Sevilha e Cebu. O cinema de Diaz oferece uma revisita à figura histórica, examinando o impacto da expedição e as relações com os nativos das ilhas que atravessou.

Abordagem do realizador

O filme destaca a percepção do explorador sob a ótica de terceiros, questionando a imagem tradicional de herói. A obra propõe uma reconfiguração do legado de Magalhães, sem recorrer a uma linha temporal linear típica de biografias.

A escolha de Bernal traduz uma leitura ambígua do personagem, com o realizador a privilegiar momentos de silêncio, lente crítica e atmosferas que sugerem conflitos, dúvidas e consequências da expansão marítima.

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