- Frigoríficos alimentados a energia solar reduzem a deterioração para menos de 2% e podem aumentar o rendimento dos agricultores em até 50% por quilograma.
- O investimento inicial de uma câmara frigorífica solar pode chegar a cerca de 30 mil dólares, ajudando a reduzir a dependência de redes elétricas caras e instáveis.
- O uso de refrigeração solar busca diminuir o desperdício de alimentos na África, onde até quarenta por cento das colheitas se perdem entre a produção e o mercado.
- Em África já existem exemplos no Quénia, Nigéria, Ruanda e Etiópia, com soluções como as câmaras da Soko Fresh em Kitengela e outras iniciativas locais.
- Analistas sublinham que o principal benefício pode ser econômico, exigindo modelos de negócio escaláveis e financiamento estável para ampliar o uso da tecnologia.
A refrigeração alimentada a energia solar está a transformar a forma como os agricultores africanos conservam as suas colheitas. No Quénia, as unidades de armazenamento a frio alimentadas a solar já ajudam a reduzir perdas e a aumentar rendimentos, especialmente para culturas como alecrim e manjericão.
Em Kitengela, no condado de Kajiado, as câmaras frigoríficas da Soko Fresh, ligadas à Citadel Agri Merchants, funcionam sem depender da rede elétrica tradicional. Agricultores e comerciantes podem armazenar produtos perecíveis com menor custo de operação.
A tecnologia chega num momento em que a produção enfrenta calor extremo, variações climáticas e custos de combustível elevados. O modelo de pagamento baseia-se no volume armazenado, incentivando o uso de soluções solares para reduzir desperdícios.
A adoção de armazéns solares ganha impulso na África, com exemplos na Nigéria, Etiópia, Ruanda e África do Sul. O objetivo é melhorar a preservação pós-colheita e reduzir as perdas, que a FAO estima em até 40% em alguns setores africanos.
Para a agricultora Yvonne Anyonyi Mumiah, o custo inicial de uma câmara solar era um obstáculo, estimado em cerca de 30 mil dólares, mas as receitas variam consoante as quilogramas armazenados, o que torna a solução mais acessível a médio prazo.
Em termos de impacto, redes de frio alimentadas a solar já ajudam a manter produtos frescos por semanas em algumas regiões, ao contrário de dias. A deterioração é menor e os agricultores têm maior alcance de mercados.
Importância da refrigeração solar
Especialistas destacam que o armazenamento a frio continua a faltar em várias cadeias de valor agrícolas africanas. A energia solar reduz dependências de redes instáveis e de combustíveis caros, melhorando a viabilidade económica para os produtores.
Analistas apontam que, além do ambiente, o principal benefício pode ser económico. A energia armazenada bem explorada converte-se em rendimentos mais estáveis, com acesso a mercados mais amplos e menor desperdício.
Financiamento e desafios
A energia solar para refrigeração enfrenta ainda barreiras de investimento. Embora haja subsidiação e empréstimos com juros mais baixos, a fragmentação de mercados e o risco percebido dificultam financiamentos comerciais mais robustos.
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