- Seis cidadãos georgianos foram condenados em Paris por associação criminosa ligadas ao roubo de clássicos da literatura russa, incluindo uma primeira edição de Boris Godounov (1825) de Alexandre Púchkin, entre outras obras de Lérmontov e Gógol.
- As penas vão desde 18 meses de prisão com suspensão até sete anos de prisão efetiva, com alguns arguidos já condenados noutros países e entregues temporariamente para julgamento.
- O prejuízo estimado à Biblioteca Nacional de França (BnF) é de 770 mil euros; os roubos envolviam consultar obras raras, fotografá-las e substituí-las por fac-símiles quase imperceptíveis.
- Dois arguidos foram julgados à revelia, enquanto detidos na Geórgia, país de origem que não extradita os seus cidadãos. Um duo já tinha sido condenado noutros países e foi temporariamente entregue à França.
- O caso insere-se numa vaga de furtos a bibliotecas na Europa desde o início da invasão da Ucrânia. Magistrados sugerem que os crimes podem refletir uma vontade de repatriar património cultural russo.
De Paris, França, chegou hoje a sentença definitiva para seis cidadãos georgianos envolvidos no furto de edições raras de literatura russa, ocorridos em bibliotecas de Paris e Lyon. Os crimes foram cometidos na noite de sexta para sábado, num período de tensões entre Moscovo e o Ocidente.
Os réus, cinco homens e uma mulher, foram condenados por associação criminosa com vista à prática de ilícitos. As penas variam entre 18 meses de prisão com pena suspensa e 7 anos de prisão efetiva, com alguns casos seguidos de expulsão. Dois arguidos encontram-se a aguardar julgamento à revelia, na Geórgia.
Entre as obras furtadas contam-se textos de Alexandre Púchkin, incluindo uma primeira edição de Boris Godounov (1825), bem como escritos de Mikhail Lérmontov e Nikolai Gógol. A Procuradoria descreveu a operação como massiva, organizada, planeada e executada com minúcia e cinismo.
Operação e impacto
Na investigação, ficou apurado que os ladrões visitavam bibliotecas para consultar e fotografar obras raras, substituindo-as por fac-símiles quase indetetáveis. Na Biblioteca Nacional de França, o prejuízo estimado atinge 770 mil euros.
O caso integra uma vaga de furtos a bibliotecas europeias desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, com sinais de uma rede organizada possivelmente ligada a Moscovo. A Europol e a Eurojust coordenaram uma investigação conjunta que resultou em várias detenções em 2024.
Situação processual e antecedentes
Mikheil Z. (50) recebeu a pena mais severa, 7 anos, com interdição definitiva de território francês após a pena e expulsão. Tinha já sido condenado na Lituânia por roubo organizado de publicações do século XIX, avaliadas em mais de 600 mil euros. Beqa T. (49) foi condenado a 4 anos, com pena anterior na Estónia de três anos e seis meses.
Dois arguidos já tinham sido julgados à revelia, tendo-se encontrando detidos na Geórgia, país de origem que não procede à extradição de nacionais. Um duo relacionado já havia sido entregue temporariamente à França para julgamento.
Contexto e pesquisa de obras
Roubos semelhantes ocorreram também na Alemanha, Suíça e República Checa, levando à criação de uma equipa de investigação sob a égide da Europol e da Eurojust. Em 2024, a leiloeira russa Litfond listou uma segunda edição de O prisioneiro do Cáucaso, de Púchkin, associada a um exemplar roubado.
Para a BnF, nenhuma obra foi recuperada até ao momento, mas o advogad o da instituição afirmou que há perspetivas de localizar as peças. A Biblioteca Nacional de França não forneceu, até ao fecho, pormenores sobre reforços de segurança implementados.
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