- O eurodeputado alemão Bernd Lange teme que o fim da trégua entre Airbus e Boeing interesse os EUA para violar o acordo Turnberry, que o Parlamento Europeu vai votar na próxima semana.
- Lange, presidente da comissão de comércio internacional, alerta que o litígio entre as duas fabricantes pode pôr em causa o acordo UE-EUA acordado em julho de mil novecentos e vinte e cinco.
- A trégua de cinco anos entre Boeing e Airbus, que suspende tarifas retaliatórias, termina em onze de julho, sem prorrogação acordada entre EUA e União Europeia.
- Os EUA já tinham ameaçado novas tarifas sob a secção três zero um, o que poderia elevar tarifas sobre bens da União Europeia acima do teto de quinze por cento previsto no Turnberry.
- O acordo, considerado frágil desde o início, exige manter a suspensão das contramedidas e visa estabilizar as trocas entre as duas regiões, mesmo diante de pressões políticas e comerciais.
Bernd Lange, eurodeputado alemão e presidente da comissão de comércio internacional do Parlamento Europeu, teme que o fim da trégua entre Airbus e Boeing possa dar aos EUA argumentos para violar o acordo de Turnberry. A votação no PE está prevista para a próxima semana.
O acordo, alcançado em julho de 2025 entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e Ursula von der Leyen, líder da Comissão Europeia, encontra-se na reta final. A questão central é a prorrogação da trégua de cinco anos, após o término prevista para 11 de julho.
Lange afirmou que não é sabido se o novo conflito no setor aeroespacial poderá agravar as relações transatlânticas. O commissário destacou a necessidade de estabilidade nas próximas semanas, enquanto o Parlamento se prepara para a decisão sobre Turnberry.
Acordo de Turnberry continua frágil
A disputa entre Boeing e Airbus remonta a mais de duas décadas, originando ações na Organização Mundial do Comércio. Bruxelas e Washington apresentaram queixas mútuas sobre subsídios, levando a tarifas que afetaram produtos como vinhos, queijos e automóveis.
Uma trégua foi atingida em 2021, sob a Administração Biden, suspendendo medidas por cinco anos. Contudo, não houve anúncio de prorrogação até ao momento. O porta-voz adjunto da Comissão, Olof Gill, reiterou que as discussões continuam para manter a suspensão das contramedidas.
Riscos de retaliação e contexto estratégico
O ajustamento do Acordo de Turnberry no Congresso Europeu está ligado a potenciais ações da Administração Trump, que pode decidir, em julho, sobre a continuação da investigação ao abrigo da secção 301 da Lei do Comércio. Taxas adicionais já foram anunciadas por Washington em reação a investigações.
Se o litígio se reacender, o argumento para quebrar Turnberry pode ganhar força nos EUA, complicando o acordo e os equilíbrios tarifários entre as duas regiões. O Parlamento Europeu pretende manter o teto de 15% acordado, mas com salvaguardas para evitar novas tensões.
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