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Faltam recursos para erradicar o siluro, grande predador dos rios

Especialista afirma que erradicação do siluro não é viável; operação no Tejo remove 2,3 toneladas e aponta para gestão localizada

A espécie invasora Silurus glanis, conhecida como siluro ou peixe-gato-europeu
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  • O investigador Filipe Ribeiro diz que erradicar o siluro não é realista; a gestão passa por ações locais, especialmente em áreas sensíveis, para proteger a biodiversidade dos rios e lagos de Portugal.
  • Na operação no Tejo, foram removidos 254 siluros, totalizando 2,3 toneladas da espécie invasora Silurus glanis.
  • A dispersão do siluro em Portugal deve-se sobretudo a ações humanas; a lei proíbe o transporte vivo de espécies invasoras sem autorização, com multas até 70 mil euros, e a detecção é complexa.
  • O interesse comercial é quase nulo; pescadores profissionais entrevistados apontaram valor baixo do siluro, mantendo o foco principal em motivações recreativas e de troféu.
  • O LIFE Predator testa métodos de remoção para reduzir populações sem afetar espécies nativas; na intervenção de Belver, 92% das capturas foram siluros adultos, e há planos para novas áreas classificadas até 2028.

O Tejo voltou a ser palco de uma operação de remoção de siluros. Na intervenção recente, foram retirados 254 peixes da espécie Silurus glanis, totalizando 2,3 toneladas. A ação integra o projeto LIFE Predator, com participação de pescadores profissionais e entidades locais.

Filipe Ribeiro, professor da Faculdade de Ciências da UL, reconhece que a erradicação total não é realista. O investigador do MARE afirma que a gestão deve ser localizada, sobretudo em áreas ecologicamente sensíveis, para reduzir impactos na biodiversidade dos rios e lagoas.

O siluro é uma espécie invasora oriunda da Europa central. A dispersão em Portugal ocorre por via natural e por introduções humanas, que continuam a acontecer, sobretudo sob o pretexto de treinos de pesca desportiva.

A origem da introdução na Península Ibérica é traçada a um biólogo alemão, entre 1974 e 1976, no rio Ebro, em Espanha. A propagação para o Alto Tejo e o Alto Douro aconteceu depois, por dispersão natural e por acção humana.

Os estudos indicam uma dispersão de cerca de 10 km por ano. Contudo, novos focos surgem acima dessa taxa, apontando para intervenções humanas que mantêm a espécie presente em vários locais.

Segundo o Decreto-lei 92/2019, transportar ou possuir siluros vivos é proibido sem autorização. As multas podem chegar a 70 mil euros, embora a identificação de infratores seja difícil.

Entre os pescadores profissionais contactados, o siluro tem valor comercial limitado. O ganho máximo apontado foi de sete euros por peixe, mas o interesse é pontual e não predominante.

Ainda assim, a dispersão persiste, impulsionada pela vontade de alguns de obter um troféu de pesca. A atracção depende da dimensão do animal capturado e da adrenalina associada à captura.

Os impactos no ecossistema são significativos. O siluro consome enguia e sável, afetando comunidades ribeirinhas e a economia dos pescadores locais, com redes danificadas e menor rendimento.

A estratégia atual é de gestão, não de erradicação. O LIFE Predator testa métodos de remoção com redes de malha grande para capturar principalmente siluros adultos, com baixos impactos sobre espécies nativas.

A operação de Belver é um piloto para áreas classificadas, parques naturais e reservas naturais. O objetivo é avaliar se as ações podem reduzir a população local e favorecer espécies nativas num prazo de 12 a 18 meses.

As previsões iniciais apontavam para a captura de cerca de 700 quilos, com números entre 300 e 700 quilos. O resultado final de 2,3 toneladas surpreendeu pela densidade e pela mobilidade dos peixes.

A monitorização contínua do Tejo, desde 2016, orienta as intervenções. O processo envolve municípios, a EDP e o ICNF, com a GNR a acompanhar as operações.

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