- A Europa precisa refazer a relação atlântica para renovar a sua força, a defesa dos seus interesses e os seus valores básicos.
- Entre 2014 e 2022 houve dependência da Rússia e atraso tecnológico; em 2022 houve despertar, e em 2025 os EUA afirmam que a Europa está desorientada e não é prioridade.
- O episódio com a NATO e as bases mostrou a fragilidade da relação atlântica, gerando tensão com os EUA, que chegaram a considerar alterações na presença militar na Europa.
- A resposta está na integração europeia em defesa e segurança, com uma coligação central para avançar, mantendo a cooperação com os EUA enquanto não houver outra opção; poderá levar de 10 a 20 anos a recuperar capacidades.
- Os caminhos de renovação passam por projetos estratégicos de defesa — como tecnologias anti- drones, anti-mísseis, IA e defesa do Atlântico Norte e do Ártico — e pela coordenação entre defesa, segurança e política externa, baseadas numa visão de interesses de médio e longo prazo.
A Europa enfrenta a necessidade urgente de restabelecer a relação atlântica para renovar a sua força, credibilidade e valores. A cooperação com os Estados Unidos permitiu vitórias históricas e moldou a defesa do mundo livre ao longo de mais de um século.
Desde 1991, a relação atlântica perdeu peso, ressurgiu em crises e ganhou novas formas com intervenções fora de área. Nos anos seguintes, a Europa entrou numa dependência energética e estratégica da Rússia, sob promessas de cooperação com a Rússia e críticas à política alemã.
Em 2022, ficou claro que a realidade mudou, com a Europa a apoiar a Ucrânia. Em 2025, percebeu-se dificuldades, com propostas de gastar 5% do PIB em defesa, mas ainda prevalece a visão de que o problema reside no adversário externo, não na estratégia europeia.
A resposta da Administração americana, diante de tensões, incluiu a possibilidade de descolar-se da NATO e de alterar a presença de bases na Europa. A relação atlântica ficou sob pressão, com impactos potenciais na credibilidade de defesa europeia.
A Europa das pátrias
O episódio evidenciou fragilidades para a defesa europeia, que depende do apoio americano. A Europa não detém o peso global necessário sem a cooperação de Washington, enquanto a política externa do continente continua a depender de decisões fora da região.
Paralelamente, aumentam críticas ao atraso tecnológico em defesa e à falta de uma integração europeia mais profunda. A ideia de uma Europa mais integrada esbarra na relutância política e na fragmentação de respostas entre Estados.
Os defensores da integração argumentam que apenas com uma defesa comum operável globalmente a Europa ganha dimensão militar. Sem isso, o aumento de despesa não trará resultados suficientes.
Interesses comuns
A conclusão aponta para a urgência de refazer a relação atlântica para renovar a força europeia. O desafio persiste: como alinhar interesses com os EUA numa estratégia comum, sem depender apenas de consensos nacionais?
Sugere-se construir uma coligação central de defesa, mantendo alguns Estados fora do núcleo, mas sem arrastar todos para a inércia. Preconiza-se uma visão estratégica de médio e longo prazo para a segurança e a prosperidade.
Entre as opções, destacam-se caminhos para investigação em capacidades de defesa, com quatro estratégias prioritárias que poderiam integrar uma renovada cooperação atlântica.
Perspetivas estratégicas
1) Fortalecer a integração da defesa e segurança europeias, criando uma estrutura operacional comum.
2) Adotar uma coalizão de vontades no núcleo central, com outros Estados em posição secundária.
3) Reconhecer que a recuperação de capacidades pode levar 10 a 20 anos.
4) Aprofundar a colaboração com os EUA enquanto não há alternativas globais.
Outras opções incluem conter a Rússia, reforçar capacidades anti-drones e anti-mísseis, e promover a aplicação da inteligência artificial na defesa, com um enquadramento regulatório adequado.
Caminhos e limites
O texto ressalva que a legalidade internacional não deve ser a linha condutora única, defendendo que a defesa de interesses a médio e longo prazo exige visão estratégica. A cooperação atlântica depende de atitudes concretas dos EUA.
Sugere-se que o reforço do Atlântico passará pela adaptação de políticas a um mundo em mudança acelerada, com maior cooperação tecnológica, económica e militar entre parceiros, sempre com base em princípios democráticos.
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