- O embaixador dos EUA junto da União Europeia, Andrew Pudzer, disse que o presidente Donald Trump continua desiludido com a NATO por não terem ajudado os EUA na guerra contra o Irão.
- Segundo Pudzer, alguns aliados europeus recusaram acesso a bases militares e, em alguns casos, ao espaço aéreo para aviões que transportavam munições para o Irão; Espanha e Itália foram citadas como exemplos, enquanto o Reino Unido acabou por ceder e a Alemanha não limitou bases, mas criticou a estratégia.
- Trump defende que a Europa tinha a obrigação de facilitar o apoio, lembrando a defesa histórica dos Estados Unidos ao continente, e acusa os países de não permitirem sobrevoos ou uso das bases.
- O episódio levou Washington a questionar a fiabilidade dos parceiros europeus, num contexto em que o estreito de Ormuz ficou quase paralisado, elevando preços da energia e contribuindo para a instabilidade global.
- Uma coligação liderada pelo Reino Unido e pela França tentou reabrir o estreito após as hostilidades, numa resposta às falhas iniciais europeias; Trump chegou a classificar aliados de “cobardes” nas redes sociais.
Em Bruxelas, Andrew Pudzer, embaixador dos EUA junto da UE, afirmou ter havido um erro estratégico por parte de aliados da NATO ao não responderem ao apoio dos EUA na guerra contra o Irão. A entrevista foi concedida à Euronews, à margem de um Fórum Económico sobre Segurança.
Segundo o embaixador, a administração de Donald Trump estava convicta de que os europeus tinham obrigação histórica de facilitar o overflight e o uso das bases no continente. A reação europeia incluiu resistência de alguns países a aceder a bases americanas para missões de combate.
A afirmação surge após ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel contra alvos no Irão em fevereiro, que levou Teerão a fechar o estreito de Ormuz. Pudzer disse que esse episódio expôs fragilidades na confiança entre Washington e os seus parceiros europeus.
Descontentamento e bases na Europa
O embaixador reiterou que haja um sentimento de desilusão do presidente Trump com a colaboração de alguns aliados, citando a recusa de países como Espanha e Itália em permitir o uso de bases ou espaço aéreo europeu. Em contraste, a Alemanha manteve acesso às bases dos EUA, embora tenha criticado os objetivos da guerra.
Pudzer afirmou que a administração americana considerou que os europeus tinham uma obrigação de facilitar a defesa comum, citando o histórico de apoio americano ao continente ao longo de décadas. O diplomata salientou que a retórica e as ações dos parceiros influenciam a percepção de fiabilidade.
Repercussões regionais e resposta internacional
O episódio gerou tensões na aliança transatlântica, levando a uma redução de capacidades norte-americanas disponíveis para a NATO e a cortes no contingente estacionado na Europa. A coligação liderada pelo Reino Unido e pela França manteve operações para tentar reabrir o estreito de Ormuz após o aumento de hostilidades.
Na sequência, diferentes países britânicos e europeus passaram a colaborar de forma mais coordenada para manter rotas comerciais e estratégicas, com foco na estabilidade regional. Autoridades alemãs criticaram a condução da guerra e reiteraram que não se tratava de uma guerra iniciada pela Alemanha.
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