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Rússia recua na Ucrânia pela primeira vez em dois anos

Rússia regista perda líquida de território pela primeira vez desde 2023, apesar de mais de sete mil ataques em maio, sugerindo travagem da ofensiva de Moscovo

Um militar ucraniano dispara um projéctil contra posições russas na região de Donetsk
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  • Em maio, a Rússia registou perda líquida de território pela primeira vez desde 2023, com Moscovo a conquistar cerca de 14 quilómetros quadrados, mas as perdas ucranianas a excederem esse ganho.
  • A DeepState indica que o balanço final do mês deverá ser negativo para as forças russas, apesar de mais de sete mil ataques terem sido realizados em maio.
  • O Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou 7.008 ataques russos na linha da frente em maio, face a 5.085 em abril, refletindo um aumento de atividade.
  • Analistas estimam que as perdas líquidas de território passaram de cerca de 116 quilómetros quadrados em abril para cerca de 280 quilómetros quadrados em maio.
  • A autoridade enfatiza mudanças na cadeia de comando com o novo ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, e o uso crescente de drones ucranianos para atingir centros logísticos e retaguarda russos, a 50 a 80 quilómetros da linha da frente.

A Rússia intensificou os ataques na Ucrânia em maio, mas registou perdas líquidas de território pela primeira vez em quase dois anos. Analistas ocidentais e ucranianos indicam que o balanço do mês foi negativo para Moscovo, apesar do aumento da pressão na frente.

Dados de monitorização abertos apontam que, em maio, as forças russas avançaram cerca de 14 km². As forças ukrainas teriam recuperado terreno, com detalhes operacionais ainda classificados. A avaliação é de que o saldo mensal foi desfavorável a Moscovo.

A DeepState, plataforma de referência no rastreio da guerra, estima que o mês terminou com um saldo negativo, mesmo com mais de 7 mil ataques russos contra posições ucranianas, um acréscimo de 37,5% face a abril.

Paralelamente, o Ministério da Defesa ucraniano confirmou 7008 ataques russos na linha da frente em maio, face a 5085 em abril, corroborando a tendência de intensificação militar.

Analistas independentes repetem a leitura: houve uma desaceleração do avanço russo em território ucraniano, situando as perdas líquidas de abril em 116 km² e, em maio, em torno de 280 km², segundo o Institute for the Study of War.

Historicamente, novembro de 2024 registou picos de progresso territorial russo, com cerca de 725 km² em um único mês, um dos períodos de maior expansão desde o início da invasão.

Nova cadeia de comando

Caso a tendência se confirme, será a primeira vez desde 2023 que a Ucrânia recupera território em termos líquidos, após a contra-ofensiva daquele ano apoiada por equipamento ocidental.

Especialistas apontam que a melhoria da posição de Kiev resulta de mudanças na cadeia de comando, com o novo ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, a coordenar o esforço desde janeiro e a promover oficiais mais eficazes para cargos de maior responsabilidade.

Outros analistas ressaltam o papel de ataques com drones contra centros logísticos e infraestruturas russas, a alcançarem zonas entre 50 e 80 km da linha da frente, prejudicando o abastecimento russo e limitando a capacidade de transformação de superioridade numérica em ganhos territoriais.

Apesar dos sinais favoráveis para Kiev, os analistas alertam que ainda não é possível confirmar uma mudança duradoura no rumo da guerra, que permanece marcada por combates intensos ao longo de uma frente que excede os 1.000 quilômetros.

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