- A NATO realiza o exercício tático Northern Star a apenas 30 km da fronteira russo-finlandesa, no campo de treino de Vuosanka, Kajaani, Finlândia, com temperaturas que podem descer até -20 °C.
- Cidades participantes: Finlândia (defesa), Estados Unidos, Polónia, Reino Unido, França, Itália e Hungria; envolvem cerca de 9 000 militares ao longo de vários meses.
- O treino simula combate e desdobramento rápido, incluindo artilharia, infantaria e helicópteros, com foco na integração de capacidades não tripuladas na chamada “muralha de drones” (Iniciativa de Dissuasão do Flanco Oriental).
- A NATO pretende reforçar a dissuasão no flanco oriental, alinhando redes de sensores e dados entre aliados para detetar incursões e permitir resposta conjunta com tecnologia de drones.
- Paralelamente, no leste da Europa, houve violação do espaço aéreo da NATO na Roménia por drone russo, levando a discussões no governo romeno sobre medidas junto da NATO e à criação de défenses adicionais no âmbito da operação Eastern Sentry.
O exercício tático Northern Star está a decorrer no campo de treino de Vuosanka, em Kajaani, no centro da Finlândia, a apenas 30 km da fronteira com a Rússia. Participam forças da defesa finlandesas e sete aliados da NATO, incluindo EUA, Polônia, Reino Unido, França, Itália e Hungria. Ao longo de vários meses, cerca de 9 000 militares treinam em terreno de floresta densa e sob temperaturas de inverno que podem descer a -20 °C.
As forças aliadas simulam cenários de combate e desdobramento rápido, com tiro real de artilharia, infantaria e helicópteros. Helicópteros CH-47 chinook dos EUA atuam com tanques para deslocar tropas e material em condições adversas.
Reforços em dissuasão e novas tecnologias
Entre os objetivos do Northern Star está a implementação da Iniciativa de Dissuasão do Flanco Oriental (EFDI), com uma possível zona autónoma para operar sistemas não tripulados, incluindo redes de drones em rede. A missão prevê também presença robusta de tropas multinacionais em caso de emboscadas ou ameaças graves.
De acordo com o major Matt Blubaugh, do Exército dos Estados Unidos, a prioridade passa pela criação de uma rede letal de diferentes drones, aliada a sistemas de vigilância, sensores e radares integrados entre os parceiros. A cooperação entre sensores e dados de várias nações é vista como chave para defender o Flanco Oriental.
Apesar do foco tecnológico, Blubaugh sublinha que a presença de tropas no terreno continua necessária. Ele afirma que, mesmo com avanços em drones e IA, é essencial manter forças em terreno real para assegurar o território.
Contexto geopolítico e incidentes na região
O Northern Star ocorre numa conjuntura de crescente preocupação com incursões russas na região. Na Roménia, dois caça F-16 descolaram de emergência após uma violação do espaço aéreo durante a manhã de sexta-feira, associada a um drone russo que atingiu um bloco de apartamentos na cidade de Galați, ferindo pelo menos duas pessoas.
O governo romeno reúne-se em Bucareste para decidir respostas junto da NATO, incluindo possível Invocação do Artigo 4.º do Tratado do Atlântico Norte, que permite aos países consultar-se sobre segurança. A medida surge no âmbito da operação Eastern Sentry, criada para proteger o flanco oriental.
Reações internacionais e próximos passos
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, qualificou o comportamento russo como imprudente, destacando o risco para todos os aliados. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a agressão russa ultrapassou limites. O comandante supremo da NATO na Europa, Alexus Grynkewich, manteve contacto com o chefe da Defesa romeno para avaliar medidas adicionais de defesa.
Segundo um comunicado da NATO, mantém-se a avaliação de reforçar a defesa da Roménia e da Aliança, com monitorização contínua das investigações sobre o incidente e potenciais medidas defensivas adicionais.
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