- O Egito registou três descobertas significativas de gás nos últimos dois meses, todas associadas à Eni, com o maior achado no Deserto Ocidental em 15 anos.
- Denise West, descoberta offshore no Mediterrâneo anunciada em abril, é estimada em cerca de 2 biliões de pés cúbicos de gás in situ.
- Nidoco N-2, no delta do Nilo, deverá acrescentar cerca de 50 milhões de pés cúbicos por dia à produção.
- South Bostan-1X, no Deserto Ocidental, tem estimativas iniciais de 330 mil milhões de pés cúbicos de gás, 10 milhões de barris de condensados e crude e 70 milhões de barris de equivalente de petróleo.
- Analistas dizem que as descobertas ajudam a reforçar a produção interna e a reduzir a dependência de importações de gás, mas não deverão resolver de imediato o déficit entre oferta e procura interna nem as importações de GNL.
O Egito registou, nos últimos dois meses, várias descobertas de gás lideradas pela italiana Eni, com o maior achado no Deserto Ocidental em 15 anos. As descobertas chegam num contexto de procura energética global elevada, impulsionada pela guerra no Irão e pela recuperação prevista da produção egípcia, que visa reduzir a dependência de importações de gás.
Entre as novidades, destaca-se Denise West, descoberta offshore no Mediterrâneo anunciada em abril pela Eni e pela BP, estimada em cerca de 2 mil milhões de pés cúbicos de gás. A análise de Martijn Murphy, da Wood Mackenzie, aponta próxima proximidade a infraestruturas já operadas pela Eni como fator facilitador de desenvolvimento rápido.
Em maio, surgiu Nidoco N-2, no delta do Nilo, na área West Abu Madi, operado pela joint venture Petrobel (Eni e BP). A projeção aponta para mais 50 milhões de pés cúbicos por dia. Ainda em maio, a Agiba Petroleum, joint venture entre Eni e EGPC, anunciou South Bostan-1X no Deserto Ocidental, com estimativas iniciais de 330 mil milhões de pés cúbicos de gás, 10 milhões de barris de condensados e 70 milhões de barris de petróleo equivalente.
Para analistas, as descobertas próximas de infraestruturas existentes são cruciais para reduzir custos e acelerar a produção. O conjunto de descobertas reforça a produção interna, que vinha a abrandar, e pode reduzir a dependência de gás natural liquefeito importado, segundo especialistas.
A leitura de especialistas aponta para uma estratégia do Egito de apostar em desenvolvimentos mais rápidos e de baixo custo, próximos de infraestruturas atuais, em vez de grandes projetos de expansão. A principal conclusão é que, isoladamente, as novas descobertas não substituem completamente a necessidade de suprir a procura interna.
O contexto financeiro também influenciou o dinamismo no setor. O Egito tem pago dívidas a empresas estrangeiras de energia, o que contribuiu para restaurar a confiança dos operadores no país, incluindo a Eni, a BP e a Shell. A regularização dos pagamentos é vista como fator de estímulo à atividade exploratória.
Quanto ao impacto nas exportações, analistas destacam que o Cairo continua a posicionar-se como plataforma regional de gás, com possíveis fluxos de Israel e Chipre. Um acordo de 30 mil milhões de euros para expandir exportações do campo Leviathan, em Israel, para o Egito entre 2026 e 2040, está entre as iniciativas em curso. Chipre também tem apontado para o Egito como rota de acesso ao mercado, com acordos recentes envolvendo gás cipriota e israelita.
Ainda assim, o efeito imediato das descobertas sobre as importações de GNL é limitado. Segundo analistas, as novas reservas serão absorvidas pelo mercado interno assim que entrarem em produção. A paragem de crescimento da procura interna, em especial pela demanda eléctrica, continua a impor desafios ao equilíbrio entre oferta e consumo.
A leitura consolidada é de que as descobertas fortalecem a posição do Egito, mas não eliminam a necessidade de soluções rápidas para satisfazer a procura interna. O caminho para restaurar a balança energética envolve, além das novas reservas, eficácia na implementação de infraestruturas e gestão de pagamentos a fornecedores.
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