- França registou o dia de maio mais quente de sempre, com 37,1 ºC perto de Hossegor, e 352 estações registaram máximos mensais.
- O país está sob uma cúpula de calor, um padrão atmosférico “altamente anómalo” que prende as ondas de calor, cada vez mais comum devido às alterações climáticas.
- Hoje, 26 de maio, as máximas devem atingir 35 ºC em Nantes, 34 ºC em Paris, Lyon, Toulouse e Bordéus, e até 30 ºC em Lille.
- O episódio já está a ser associado a mortes por calor, incluindo a de um corredor de 53 anos em Paris, gerando preocupações para o verão.
- França tem desenvolvido medidas de adaptação, incluindo criação de cidades mais verdes, planos de urbanismo bioclimático em Paris e metas de descarbonização com fim progressivo de carvão, petróleo e gás.
França registou o dia de maio mais quente já medido, com máximas a atingir 37,1 ºC perto de Hossegor, junto a Biarritz. O fenómeno ocorre numa altura em que o país enfrenta calor extremo, segundo o serviço meteorológico Météo France. Observadores surgem como um episódio sem precedentes, com probabilidade muito baixa para a época do ano.
352 estações marcaram novos recordes mensais, sobretudo no oeste. Perante o calor, a meteorologia indica que o país ficará sob uma cúpula de calor potente, um padrão atmosférico que prende as ondas quentes e se intensifica com as alterações climáticas.
A massa de ar quente deve manter-se nos próximos dias, com previsões de 35 ºC em Nantes e 34 ºC em Paris, Lyon, Bordéus e Toulouse. Lille, no norte, pode chegar aos 30 ºC, com empresas e serviços a adaptarem-se à maior carga de demanda energética.
Contexto e impactos
A onda de calor já está associada a mortes, incluindo a de um corredor de 53 anos durante uma prova em Paris, elevando alertas para o verão. No ano passado, parte de França viveu temperaturas próximas de 40 ºC e vários departamentos ficaram sob alerta laranja.
De acordo com dados europeus, o verão de 2025 foi próximo de recordes, com grande parte do território a ter mais dias quentes que a média. O sudoeste registou anomalias acentuadas, com temperaturas até 6 ºC acima do normal.
Uma avaliação rápida da London School of Hygiene & Tropical Medicine atribuiu às alterações climáticas cerca de 68% das mortes em 24 000 óbitos em 854 cidades europeias, incluindo Paris. O estudo aponta para mais incidentes de calor no futuro.
Medidas e planeamento público
Em 2023, Paris testou o projeto “Paris a 50 ºC” para preparar a cidade. O exercício envolveu autoridades, urbanistas e instituições de saúde para avaliar vulnerabilidades e respostas em habitação, transportes e energia.
O plano urbano visa tornar Paris mais verde, com mais árvores e espaços sombreados. Relatórios sublinham a necessidade de reduzir ilhas de calor e adaptar escolas e infraestruturas ao calor extremo.
Além disso, a França apresentou um roteiro para abandonar combustíveis fósseis, com metas para eliminar carvão até 2030, petróleo até 2045 e gás até 2050. O objetivo é alcançar neutralidade carbónica, apoiando também a transição noutros países.
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