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Ex-diretor do SEF tem pena reduzida por proteger inspetores que mataram ucraniano

Tribunal da Relação de Lisboa reduz pena suspensa do antigo diretor do SEF por abuso de poder, mantendo condenação de seguranças pela morte de Ihor Homeniuk

O caso aconteceu depois de o SEF ter recusado na fronteira do aeroporto de Lisboa a entrada em Portugal de Ihor Homeniuk
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  • O Tribunal da Relação de Lisboa reduziu a pena suspendida do ex-diretor do SEF, António Sérgio Henriques, por ter protegido três inspetores que mataram um cidadão ucraniano no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, em 2020.
  • Passou de uma condenação anterior de dois anos e seis meses de prisão, suspensos na sua execução, por denegação de justiça e prevaricação, para uma condenação por abuso de poder de um ano e dez meses, também suspensa.
  • A decisão não foi unânime: uma das três juízas desembargadoras pediu a absolvição por entender que não ficou provado que o arguido soubesse das circunstâncias da morte.
  • Foi ainda confirmada a condenação a seis meses de prisão suspensa para dois vigilantes do Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária, por exercício ilícito da atividade de segurança privada.
  • Ihor Homeniuk, ucraniano de quarenta anos, morreu a 12 de março de 2020, após ter sido espancado e deixado algemado numa sala do EECIT por três inspetores do então Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Dois outros inspetores foram absolvidos de homicídio negligente por omissão.

O Tribunal da Relação de Lisboa reduziu a pena suspensa de prisão aplicada a António Sérgio Henriques, antigo diretor do SEF, por proteger de processos disciplinares três inspetores que mataram um cidadão ucraniano no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, em 2020. A condenação foi proferida em janeiro de 2025, por denegação de justiça e prevaricação.

O TRL reviu a violação para abuso de poder, fixando uma pena de 1 ano e 10 meses, também suspensa por igual período. A decisão não foi unânime: uma das juízas defende a absolvição por não ficar claro, na acusação, o conhecimento das circunstâncias da morte de Ihor Homeniuk.

Além disso, o tribunal confirmou a condenação de seis meses de prisão suspensa para dois vigilantes do Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária (EECIT) do aeroporto, por exercício ilícito da atividade de segurança privada.

Enquadramento do caso

Ihor Homeniuk, de 40 anos, morreu a 12 de março de 2020, após ser asfixiado, depois de ter sido manietado com fita adesiva por três inspetores do então Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). O SEF foi extinto em outubro de 2023.

Pessoas envolvidas e decisões

Duarte Laja, Luís Silva e Bruno Sousa foram condemnados em 2021 a nove anos de prisão por ofensa à integridade física agravada pela morte, tendo saído em liberdade condicional no final de março de 2026. Os ex-inspetores ficaram em prisão domiciliária em 2020 e entregaram-se em 2023 para cumprir o que restava da pena, depois de a condenação transitada em julgado.

No processo secundário, dois outros inspetores que tinham sido acusados de homicídio negligente por omissão foram absolvidos.

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