- Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO concluíram que a Europa tem de ocupar o vazio deixado pela redução de tropas norte-americanas no continente.
- Washington vai manter a redução de efetivos e anunciou a transferência de 5 mil militares da Alemanha para a Polónia, numa viragem que foi agradecida pela Polónia.
- O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que haverá menos tropas americanas a longo prazo, sinalizando um reequilíbrio dos contributos na Aliança.
- Foi acordada uma reconfiguração da “cavalaria” da NATO, com anúncio previsto para hoje ou nos próximos dias sobre forças mobiliáveis em até 180 dias.
- O encontro manteve o objetivo de apoio firme à Ucrânia, destacou o reforço da cooperação no Ártico entre sete aliados e recordou a meta de defesa de 5 por cento do PIB até 2035.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reuniram-se em Helsingborg, Suécia, e concluíram que a Europa terá de assumir maior responsabilidade devido ao vazio criado pela redução de tropas norte-americanas no continente. Washington confirmou novas reduções de efectivos, o que motivou um reequilíbrio de contributos entre os aliados.
A reunião revelou, de forma predominante, um posicionamento de maior autonomia europeia na aliança. O objetivo é fortalecer a cooperação e reduzir a dependência de um único aliado, alinhando-se com o discurso do secretário-geral da NATO sobre uma aliança mais robusta e equilibrada.
Ainda que exista descontentamento significativo na administração norte-americana, a presença dos EUA na NATO continua reconhecida como fundamental. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reiterou que as mudanças devem ser interpretadas como um processo contínuo de adaptação aos compromissos globais dos Estados Unidos, e não como punição aos parceiros europeus.
No saldo do encontro, Rubio confirmou que, a prazo, haverá menos tropas americanas no continente e indicou que um ajuste operacional seria anunciado nos próximos dias, incluindo o que alguns apelidam de “cavalaria” – forças com potencial de mobilização em 180 dias.
Apesar das tensões, as declarações finais sinalizaram continuidade da cooperação. O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, assegurou que o compromisso dos EUA permanece firme, enquanto a sua homóloga sueca, Maria Malmer Stenergard, pediu uma saída ordenada das tropas para assegurar a substituição.
Pactos regionais e questões estratégicas
Saíram do encontro acordos entre os sete aliados árticos da NATO para reforçar a presença militar, vigilância e treino conjunto na região. Canadá, Finlândia, Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia e EUA destacaram a necessidade de enfrentar interesses estratégicos da Rússia e da China.
Os ministros também abordaram o suporte à Ucrânia, o Médio Oriente e o orçamento de defesa. A pauta incluiu a meta de gastar 5% do PIB em defesa até 2035, traçada no ano anterior, e o planeamento da cimeira de julho em Ancara, Turquia.
Este foi o primeiro encontro da NATO organizado pela Suécia desde a sua entrada no bloco, em 2024, e ocorreu numa altura de debate sobre como manter a coesão da aliança face a mudanças estratégicas globais.
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