- O presidente da República, António José Seguro, elogiou vozes que se agigantam e estremecem a indiferença, ao falar de jornalistas mortos pelas forças de Israel, na cerimónia do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa 2025.
- O prémio, entregue na Assembleia da República, distinguiu Bragi Guðbrandsson, defensor dos direitos da criança, e o jornalista palestiniano Rami Abou Jamous.
- Seguro citou dados do Comité para a Proteção dos Jornalistas: no ano passado morreram 129 jornalistas em todo o mundo, quase metade em Gaza, sendo as Forças de Defesa de Israel a entidade que mais jornalistas matou desde 1992.
- Este ano, 16 dos 27 jornalistas mortos foram vítimas de ataques; a maioria ocorreu no Médio Oriente, especialmente no Líbano e em Gaza.
- Sobre Bragi Guðbrandsson, o júri reconheceu contributos para respostas judiciais envolvendo crianças face à violência e abusos, ajudando a moldar normas internacionais através do Conselho da Europa e das Nações Unidas.
O presidente da República, António José Seguro, elogiou nesta terça-feira as vozes que se agigantam e estremecem a indiferença, enquanto alguns países e líderes políticos persistem na tragédia. A declaração ocorreu durante a cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa 2025, na Assembleia da República.
Seguro destacou os premiados Bragi Guðbrandsson, defensor dos direitos da criança, e o jornalista palestiniano Rami Abou Jamous, repórter de guerra. Chamou-os de exemplos de compromisso com a dignidade humana e com a proteção infantil, perante a violência global.
Dados do Comité para a Proteção dos Jornalistas, mencionados pelo chefe de Estado, revelam que no ano passado 129 jornalistas perderam a vida no exercício da profissão, quase metade em Gaza. Segundo a organização, as Forças de Defesa de Israel foram a entidade governamental que matou mais jornalistas desde 1992.
Além disso, Seguro indicou que, neste ano, 16 dos 27 jornalistas mortos tinham sido atacados, conforme a Campanha Emblema de Imprensa. A maioria das mortes ocorreu no Médio Oriente, com registos frequentes no Líbano e em Gaza.
Sobre Bragi Guðbrandsson, o júri reconheceu que o seu trabalho reforçou respostas judiciais multidisciplinares à violência contra crianças e abusos sexuais, ajudando a moldar normas internacionais com o Conselho da Europa e as Nações Unidas.
O presidente leu excertos do Diário de bordo de Gaza, de Rami Abou Jamous, que descrevem a experiência de um pai a proteger o filho de três anos e a sensação de fragilidade diante dos bombardeamentos.
Seguro descreveu a realidade vivida pelo jornalista palestiniano como uma luta para relatar uma realidade distorcida pela guerra. Destacou que Abou Jamous e muitos colegas não baixam a voz, mesmo perante a propaganda e a violência.
O chefe de Estado encerrou afirmando que o Conselho da Europa e o Centro Norte-Sul podem ser uma força motriz para estancar deriva autocrática, mesmo em regimes que se dizem democráticos. Atribuir o prémio tem, segundo ele, um duplo significado: premiar as vozes que desafiam a indiferença e reconhecer quem cuida dos mais frágeis.
O Conselho da Europa, criado em 1949, reúne 47 Estados-membros. O Prémio Norte-Sul distingue anualmente personalidades ou organizações pelo compromisso com direitos humanos, democracia e Estado de direito.
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