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Ministra da Cultura francesa considera lista negra do Canal+ desproporcionada

Parlamento aborda o controlo de Bolloré no cinema e no setor editorial; mediadores tentam restabelecer diálogo entre Canal+ e cineastas signatários da carta

A ministra francesa Catherine Pégard no fim-de-semana em Cannes
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  • O cinema e a literatura francesas criticam o controlo de Vincent Bolloré no sector; o movimento Zapper Bolloré reuniu mais de seiscentos signatários num manifesto divulgado em Cannes.
  • O Canal+, liderado por Maxime Saada, afirmou não trabalhar com quem assinou a carta e criticou a suposta injustiça para as equipas do canal.
  • A ministra da Cultura, Catherine Pégard, descreveu a resposta como desproporcionada e pediu diálogo entre as partes; a Associação Francesa de Realizadores ofereceu mediação entre signatários e Canal+.
  • A Autoridade Reguladora das Comunicações (Arcom) pediu que as partes conversem para acalmar as tensões.
  • O deputado Arthur Delaporte defende leis anti-monopólio para conter o poder de Bolloré, associando a situação ao debate sobre a exceção cultural francesa e à diversidade no setor.

A ministra francesa da Cultura reagiu nesta terça-feira à controvérsia em torno de Vincent Bolloré, considerando a reação de desproporcionalidade do presidente do Canal+ face à carta aberta que condena o domínio da empresa no cinema, imprensa e editorial. A polémica começou com um manifesto assinado por mais de 600 profissionais, divulgado na abertura do Festival de Cannes.

O documento acusa Bolloré de controlar o Canal+, StudioCanal, a distribuição e a rede de cinemas, além de ter influência na editora Hachette Livre. Maxime Saada, CEO do Canal+, declarou apoiar as equipas e recusou trabalhar com os signatários da carta.

No Parlamento, a ministra Catherine Pégard disse estar atenta à preocupação do setor e pediu serenidade entre as partes. O objetivo é preservar a independência criativa e evitar que pressões externas afetem o cinema e a literatura.

Mediação e regulação

A Associação Francesa de Realizadores ofereceu mediação entre os signatários da carta e o Canal+, para restaurar a confiança entre as partes. Cedric Klapisch, presidente, reiterou solidariedade com os cineastas contestatários e ressaltou o histórico de liberdade criativa do Canal+.

O presidente da ARCOM, Martin Adjari, pediu diálogo entre as partes para acalmar a tensão após o embate público. A recomendação visa evitar escaladas que possam comprometer a produção audiovisual.

Contexto económico e político

Vincent Bolloré é dono do grupo Vivendi, com impacto no Canal+, StudioCanal e na imprensa, e é investidor da editora Hachette Livre. A controvérsia envolve a influência financeira nas etapas de produção, financiamento e distribuição.

O debate inclui sinais de possíveis medidas legais anti-monopólio para conter concentrações de poder. Deputados sociais veem riscos à diversidade cultural diante de uma gestão concentrada nas mãos de poucos.

O que se segue

O sector espera que as partes mantenham o foco no diálogo e na defesa da pluralidade do cinema e da literatura. Autoridades regulatórias e representantes do setor destacaram a importância de manter a autonomia criativa frente a pressões econômicas.

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