- Droga sintética conhecida como K4 circula nas cadeias portuguesas, chegando aos reclusos pela correspondência, sobretudo cartas de amor, com potência estimada entre oitenta e cem vezes a canábis natural.
- O primeiro caso conhecido ocorreu em 2020 na cadeia do Funchal; desde então o número de ocorrências tem aumentado, com cerca de trezentas e sete amostras analisadas no ano passado, face a cinco em 2020.
- A substância é difícil de detetar: não deixa cor nem cheiro nas cartas, o que complica a atuação dos guardas prisionais.
- O custo de uma folha A4 impregnada varia entre dois mil e quatro mil euros, e um centímetro quadrado pode custar cinco euros; a dose pode deixar o recluso fora de si.
- Existem casos de reclusos com alucinações, ataques cardíacos e até mortes associadas; além disso, muitas substâncias da K4 não entram nas tabelas legais, dificultando a repressão, e não há mecanismos de deteção nas cadeias.
Nos últimos anos, uma droga sintética, apelidada de K4, tem circulado nas cadeias portuguesas, chegando principalmente aos reclusos pela via da correspondência. A substância é descrita como até 80 a 100 vezes mais potente que cannabis natural, podendo provocar surtos psicóticos, ataques cardíacos e até a morte. A prática tem sido associada a cartas de amor impregnadas com o composto.
O primeiro caso conhecido pelas autoridades ocorreu em 2020, na cadeia do Funchal, Madeira, quando as visitas presenciais estavam suspensas pela pandemia de Covid-19. Desde então, os casos têm vindo a aumentar e as amostras analisadas passaram de cinco em 2020 para cerca de 307 no ano seguinte, segundo dados recolhidos junto da Polícia Judiciária.
Dificuldade de deteção e alcance
A detecção é Complexa porque a K4 não deixa cor nem cheiro nas cartas. Este fator dificulta a ação dos guardas prisionais, que muitas vezes não conseguem identificar sinais visíveis na correspondência. A sindicalista dos Guardas Prisionais aponta que, se as letras parecerem normais, a substância pode passar despercebida.
Custos e efeitos nos reclusos
A substância pode ter um custo elevado no mercado: uma folha A4 impregnada pode oscilar entre dois mil a quatro mil euros, dependendo da oferta e da procura, enquanto um centímetro quadrado pode valer cinco euros. Após consumo, os reclusos podem ficar extremamente agitados e agressivos, o que eleva o risco de conflitos dentro das prisões.
Desfechos de saúde e enquadramento legal
Relatos indicam casos de alucinações, ataques cardíacos e traços de intoxicação grave, com alguns afetados permanecendo com sequelas. Do ponto de vista legal, várias dessas substâncias não constam das tabelas da legislação sobre drogas, o que dificulta a imputação de crimes específicos. Falhas no enquadramento legal dificultam a atuação policial e prisional.
Medidas de prevenção e detecção
As cadeias não dispõem de mecanismos eficazes para apurar se as cartas estão contaminadas no momento da receção. Especialistas pedem medidas urgentes, incluindo a possibilidade de fotocopiá-las antes de serem entregues aos presos, para reduzir a chance de introdução de substâncias. A falta de recursos de triagem complica a resposta institucional ao fenómeno.
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