- O artigo aborda incêndios florestais e inundações recentes, destacando a necessidade de tratar a floresta como desígnio nacional com resposta prática e coordenada.
- Consta que a maioria das áreas ardidas está em pinhais e eucaliptais, espécies que ardem rapidamente e que, em monoculturas, favorecem megaincêndios.
- Defende-se a reconversão para folhosas autóctones (ex.: carvalhos, castanheiros) por serem mais resistentes ao fogo, ajudarem a retenção de água e reduzirem o escoamento das enxurradas.
- Propõe-se um conjunto de medidas estruturais: restrição do eucalipto e do pinheiro bravo, subsídios a proprietários, fiscalização eficiente, apoio a autarquias e associações, e cadastros prediais para facilitar a gestão.
- Reconhece-se a complexidade do processo (fragmentação de propriedades, interesses económicos e falta de implementação) e a necessidade de envolver o Estado, com horizonte estratégico de médio a longo prazo e apoio comunitário e europeu.
O impacto dos incêndios florestais no Verão passado, seguido de tempestades e inundações, evidencia a necessidade de uma mudança estrutural na gestão da floresta em Portugal. O país registou perdas humanas e materiais significativas, com áreas extensas devastadas no Norte e Centro.
As áreas ardidas mostraram uma preponderância de monoculturas de eucalipto e pinheiro bravo, favorecidas por condições climáticas extremas. Estas espécies são altamente inflamáveis e facilitam a propagação do fogo, resultando em incêndios de grande dimensão.
Especialistas apontam que as florestas autóctones, como carvalhos e castanheiros, resistem melhor ao fogo e reduzem o risco de mega-incêndios. Estudos universitários sugerem que solos com folhosas autóctones absorvem mais água, contribuindo para evitar cheias e melhorando a recarga de aquíferos.
Reconversão florestal
A reconversão passa pela restrição de espécies de alto risco e pelo incentivo à plantação de folhosas autóctones. São considerados necessários apoio financeiro aos proprietários que adotem estas florestas, bem como fiscalização eficaz para cumprir regras e promover a segurança. A gestão debe ser encarada como objetivo estratégico, não apenas legislado.
A transição envolve desafios como a fragmentação de propriedades, cadastros incompletos e resistência de interesses económicos ligados à indústria da madeira. No entanto, a prioridade é reduzir incêndios, mitigar inundações e promover ecossistemas resilientes, capazes de sustentar água, biodiversidade e atividades económicas locais.
A importância de uma abordagem coordenada envolve Estado, autarquias e produtores florestais, com medidas de apoio à manutenção de florestas adequadas ao clima e ao solo nacionais. O objetivo é um desígnio nacional que proteja pessoas, bens e o ambiente, adaptando-se às alterações climáticas.
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