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Reservas de petróleo caem a ritmo recorde; AIE antecipa volatilidade dos preços

Reserva global de petróleo em queda a ritmo recorde pressiona a oferta; Agência Internacional de Energia alerta para nova volatilidade dos preços até ao último trimestre

Arquivo - Petroleiro "Chios" descarrega crude na refinaria da Chevron Products Company, em El Segundo, Califórnia, EUA. 17 de abril de 2026
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  • Reservas mundiais de petróleo caíram a ritmo recorde em março e abril, devido às perturbações no estreito de Ormuz, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
  • As reservas da OCDE recuaram 146 milhões de barris, fora da OCDE a queda foi de 24 milhões; perdas acumuladas de oferta do Golfo já ultrapassam mil milhões de barris, com mais de 14 milhões de barris por dia impedidos de sair da região.
  • A AIE libertou 400 milhões de barris das reservas de emergência em março; já foram usados cerca de 164 milhões de barris.
  • A procura mundial de petróleo deve recuar 420 mil barris por dia em 2026, para 104 milhões de barris diários, com os preços a gerar maior volatilidade; o preço do petróleo chegou a 144 dólares por barril, caiu para menos de 100 dólares e voltou a subir.
  • Saudis e Emirados desviaram parte das exportações para terminais fora do estreito; Rússia aumentou exportações; a procura poderá recuperar no final do ano se houver acordo para restabelecer fluxos via Ormuz a partir do terceiro trimestre, mas a oferta deverá recuperar mais lentamente.

Após mais de uma década de guerras no Médio Oriente, a AIE adianta défice até ao fim do ano devido a perturbações no estreito de Ormuz, que restringem a oferta e elevam o risco de volatilidade dos preços.

Segundo dados preliminares, as reservas mundiais de petróleo diminuíram 129 milhões de barris em março e 117 milhões em abril, após ataques entre EUA e Irão e perturbações nas exportações do Golfo. Portugal não tem envolvimento.

As maiores quedas ocorreram nos países da OCDE, com quedas de 146 milhões de barris. Fora da OCDE, a redução foi de 24 milhões de barris, indicando uma pressão global sobre os stocks.

A AIE descreve a oferta do Golfo como um “choque de oferta sem precedentes”, com mais de 14 milhões de barris por dia impedidos de sair da região. Em março, a agência libertou 400 milhões de barris de reservas de emergência, tendo já sido usados cerca de 164 milhões.

Volatilidade e dinâmica de mercado

Os mercados oscilaram devido à incerteza sobre evoluções diplomáticas entre EUA e Irão para reabrir o estreito. O preço do petróleo Brent chegou a cair para perto de 100 dólares por barril, depois de ter atingido 144 dólares, antes de subir novamente.

O esforço de produção visou mitigar impactos: a Arábia Saudita e os Emirados desviaram parte das exportações para terminais fora do estreito, enquanto a bacia do Atlântico, incluindo os EUA, aumentou carregamentos para a Ásia.

A Rússia também aumentou as exportações após ataques a refinarias provocarem menor procura interna, com sanções norte-americanas parcialmente contornadas por medidas temporárias, facilitando fluxos para mercados internacionais.

Perspectivas para procura e oferta

A procura global de petróleo deverá recuar 420 mil barris/dia em 2026, para 104 milhões/dia, uma revisão em baixa face ao cenário anterior à guerra com o Irão. Os setores petroquímico e da aviação foram os mais afetados.

A AIE aponta que, caso haja acordo para restabelecer fluxos via Ormuz a partir do terceiro trimestre de 2026, a procura pode reidratar-se no fim do ano, mas a oferta tende a recuperar mais lentamente, mantendo o défice no quarto trimestre.

A organização avisa que, com as reservas a esgotarem-se a ritmo recorde, a volatilidade dos preços deverá aumentar à medida que se aproxima o pico da procura no verão.

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