- O Ministério Público pediu a condenação de todos os nove arguidos, ligados ao assalto falhado à ourivesaria Cacho, em Valença, em novembro de 2024, por associação criminosa, entre outros crimes.
- Alegações finais indicam que o grupo, com integrantes de várias nacionalidades (albanês, italianos, marroquinos e espanhóis, incluindo uma mulher), atuava de forma organizada para cometer crimes em Portugal e incluindo uma tentativa de assalto à mão armada em Valença.
- A prova apresentada pelo MP envolve vigilância policial entre fevereiro de 2024 e novembro de 2024, imagens de videovigilância e transcrições de escutas telefónicas que indicariam preparação de novos roubos.
- A defesa nega a existência de crime de organização criminosa e contestou a participação de vários arguidos, defendendo absolvições ou penas reduzidas, com argumentos centrados em falhas de prova e em responsabilidades individuais.
- O julgamento decorre em Viana do Castelo, com forte aparato policial devido ao risco associado ao caso, que envolveu a tentativa de roubo de cerca de 400 mil euros em artigos de ouro.
O Ministério Público (MP) pediu, na quarta-feira, a condenação de todos os membros do grupo ligado ao assalto à ourivesaria Cacho, em Valença, em novembro de 2024, por associação criminosa. O processo envolve nove arguidos: um albanês, dois meios-irmãos italianos, dois marroquinos e quatro espanhóis, incluindo uma mulher companheira de um dos arguidos.
Segundo as alegações finais, o grupo é acusado de associação criminosa, furto, roubo qualificado, falsificação de documento e posse de arma proibida. O alvo foi a ourivesaria Cacho, na Avenida Miguel Dantas, centro de Valença, no dia 14 de novembro de 2024, por volta das 18h40. Outra tentativa ocorreu na madrugada de 19 de fevereiro de 2024, na ourivesaria Mário, em Vila Verde.
A Procuradoria sustenta que o grupo atuava de forma organizada, com vigilância policial entre Portugal e Espanha desde fevereiro de 2024, após a tentativa de assalto em Vila Verde. Imagens de videovigilância e escutas telefónicas reforçam a tese de cooperação entre os suspeitos e a circulação de viaturas entre as autoestradas do país.
Provas e contexto do processo
A defesa contesta a natureza de associação criminosa, apresentando argumentos para absolvição. Os advogados questionam o enquadramento como crime organizado e pedem a exclusão desse elemento da acusação.
Entre os argumentos apresentados, destaca-se a intervenção de cada arguido nas ações, desde a participação direta no assalto até posições de observação. O grupo foi detido após nove meses de vigilância e abordagem em flagrante na operação que visava evitar o roubo de cerca de 400 mil euros em ouro.
Movimentação entre Portugal e Espanha
As investigações indicam que os suspeitos atuavam em estreita colaboração entre os dois países, movendo-se entre Portugal e Espanha para monitorizar o quadro de ourivesarias em diversas cidades, incluindo Ponte de Lima, Vila Verde e Valença. As autoridades ressaltam que as escutas permitiram antecipar a preparação do assalto em Valença.
O julgamento, realizado no Tribunal de Viana do Castelo, conta com um dispositivo de segurança robusto, dada a natureza do caso e o risco associado. Até ao momento, seguem as alegações finais das defesas, com o MP a defender a coautoria dos arguidos.
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