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Procura global de areia excede a oferta e coloca ecossistemas em risco

Nações Unidas alertam que a procura global de areia supera a oferta sustentável, colocando ecossistemas, comunidades costeiras e áreas protegidas em risco

Areia a ser dragada do mar no estaleiro de construção em Colombo, no Sri Lanka
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  • A procura global de areia está a exceder a oferta sustentável, com cerca de cinquenta mil milhões de toneladas usadas por ano na construção e outras finalidades, e espera-se que a procura duplique até 2060.
  • O relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente avisa que a extração é largamente des-regulada e consome-se mais rápido do que o processo geológico o consegue repor.
  • A extração insustentável degrada habitats de peixes, tartarugas, aves e caranguejos e perturba comunidades locais.
  • A dragagem em áreas protegidas tem aumentado, com metade das empresas a operar dentro de Áreas Marinhas Protegidas; a areia magna-se a “areia morta” ao virar betão, asfalto e vidro.
  • O UNDP apela a uma governação mais robusta, incluindo inventários nacionais de areia e reconhecimento da areia como recurso estratégico, também assinalando interesse crescente na extracção de areia de magnetite na região da Ásia Sudeste e na América Latina.

A procura global por areia está a superar a oferta, colocando em risco ecossistemas e comunidades. Um relatório divulgado pelas Nações Unidas aponta para impactos ambientais significativos e para a pressão futura sobre o recurso.

A areia é o recurso natural mais explorado depois da água. A extracção não é regulada de forma suficiente e consome-se mais depressa do que os processos geológicos a repõem, segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNDP).

Cerca de 50 mil milhões de toneladas de areia são usadas anualmente na construção e noutras finalidades. Se as tendências atuais permanecerem, a procura pode duplicar até 2060, sem que as reservas acompanhem o ritmo.

A degradação ambiental tem impacto em habitats de peixes, tartarugas, aves e caranguejos, e põe em risco comunidades locais, descreve o UNDP no relatório divulgado recentemente.

Dragagem em áreas protegidas

O estudo revela que a procura cresce e as reservas terrestres se esgotam, levando a um aumento da dragagem marinha. Metade das empresas de dragagem opera dentro de Áreas Marinhas Protegidas.

A areia extraída transforma-se em areia morta ao servir para betão, asfalto e vidro, em vez de cumprir funções úteis como filtragem de água e proteção costeira contra a erosão, segundo o UNDP.

A areia é apresentada como primeira linha de defesa contra elevação do nível do mar, ressacas e salinização de aquíferos costeiros, riscos que se agravam com as alterações climáticas, destaca Pascal Peduzzi.

Impacto económico e regional

Nos pequenos estados insulares do Caribe, a extracção de areia já provoca perda de habitats, poluição e danos a espécies como tartarugas, pondo em causa economias locais pela erosão de praias e redução de stock de peixe.

O relatório refere ainda o interesse crescente na areia de magnetite, designada areia negra, com minerais valiosos, especialmente no Sudeste Asiático e na América Latina.

O UNDP solicita uma governação mais robusta, incluindo inventários nacionais de areia e reconhecimento da areia como recurso estratégico, sublinhando que a supervisão atual é fragmentada.

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