- A Alemanha e a Ucrânia lançaram o programa conjunto Brave Germany, assinado em Kiev pelo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, e pelo ministro ucraniano, Mychajlo Fedorov, para desenvolver tecnologias de defesa, IA e sistemas de ataque profundo.
- O acordo visa financiar inúmeros projetos, reforçando a cooperação estratégica e a parceria entre ambos os países.
- O pacote de defesa alemão anunciado inclui cerca de quatro mil milhões de euros, com apoio a centenas de mísseis Patriot, 36 lançadores IRIS‑T e 300 milhões de euros para capacidades de ataque profundo, incluindo produção de drones de ataque apoiados por IA, com cinco mil destinados às forças ucranianas.
- A Bundeswehr continua sem uma capacidade robusta de ataque profundo; o Taurus é atualmente a arma de maior alcance de ataque profundo disponível. Há perspetivas de aquisição de mísseis Tomahawk via venda dos Estados Unidos, dependentes de reunião entre Pistorius e o secretário de Defesa norte‑americano.
- O envolvimento ucraniano inclui a possível utilização de um sistema de mísseis de longo alcance, como o Flamingo, apresentado por Kiev no ano passado, com capacidades de ataque profundo em contextos decorrentes da cooperação com a Alemanha.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, e o homólogo ucraniano, Mychajlo Fedorov, assinam em Kiev o acordo para o programa Brave Germany. O objetivo é desenvolver conjuntamente tecnologias de defesa, IA e sistemas de ataque profundo. A cerimônia aconteceu em Kiev.
Pistorius chegou a Kyiv numa visita surpresa para reforçar a cooperação entre Berlim e Kiev. Em declarações ao agência alemã dpa, o ministro destacou a existência de vários projetos que fortalecem a parceria estratégica entre os dois países.
Fedorov sublinhou que a Alemanha continua a ser o principal fornecedor de apoio à segurança da Ucrânia. O quadro de cooperação anterior previa um pacote de defesa de quatro mil milhões de euros, anunciado após uma reunião em Berlim no mês passado.
Acordos de financiamento e capacidades
O acordo de Kiev prevê financiamento de várias capacidades de defesa, incluindo mísseis Patriot e 36 lançadores IRIS-T para defesa aérea. O texto cita também investimentos em ataque profundo e produção de drones de ataque apoiados por IA.
Fedorov referiu que a Alemanha financiará capacidades de ataque médio e profundo, consideradas cruciais para a Ucrânia. O apoio visa perturbar a logística inimiga por meios de ataque de longo alcance, segundo a autoridade ucraniana.
Contexto estratégico e limitações atuais
A Alemanha moderniza as suas forças, mas permanece sem capacidades de ataque profundo de largo alcance além do Taurus. Segundo análises, o objetivo de instalar Tomahawk no país não está assegurado, com incertezas sobre uma possível venda aos alemães.
De acordo com o Financial Times, Pistorius planeia uma viagem a Washington para tentar viabilizar a venda de Tomahawk e sistemas Typhon, dependente de encontro com o secretário da Defesa norte-americano. A viabilidade dependerá de contactos diplomáticos.
Perspetivas e cenários
Especialistas apontam que não se confirma ainda que armas específicas farão parte do programa suportado pela cooperação alemã-ucraniana. Em 2025, Kyiv revelou o Flamingo, um míssil pesado land-based com alcance operativo considerável, destinado a colmatar lacunas de ataque profundo.
O Flamingo, com cerca de 6 metros de envergadura e 6 toneladas, transporta uma carga útil de 1150 quilos. Analistas destacam que a ogiva de grande peso aumenta a penetração e o dano em alvos fortificados, com eventual uso em território russo.
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