- Estudo com 231 rapazes de 18 e 19 anos do ISPA associou conformidade com normas tradicionais de masculinidade a maiores comportamentos de delinquência, com poder preditivo semelhante ao das adversidades na infância.
- As duas dimensões — adversidade na infância e normas de masculinidade — explicaram, em conjunto, 19,4% da variação nos comportamentos delinquentes.
- Os comportamentos delinquentes considerados incluem furtos, destruição de propriedade, condução sem carta, porte de arma e venda de drogas.
- Metade dos participantes relatou atração por pessoas do mesmo sexo, fenómeno compatível com tendências de maior flexibilidade da masculinidade entre jovens em países ocidentais.
- O estudo é transversal e não estabelece causalidade; reforça a importância de incluir normas de género nas estratégias de prevenção da delinquência juvenil; foi publicado a 7 de maio na revista Criminology & Criminal Justice.
O estudo, conduzido por investigadores do ISPA – Instituto Universitário, envolveu 231 rapazes de 18 e 19 anos. A pesquisa analisa a relação entre normas de masculinidade tradicionais e comportamentos delinquentes, procurando entender fatores de risco na delinquência juvenil. O foco é objetivo e empírico.
Os resultados indicam que a conformidade com normas masculinas tradicionais tem poder preditivo comparável às experiências de adversidade infantil, um fator de risco já reconhecido na literatura. A pesquisa mede a influência combinada desses elementos sobre a delinquência.
Afonso Borja-Santos, do William James Center for Research, afirma que as normas de género ajudam a explicar comportamentos delinquentes. O estudo explica 19,4% da variação nos comportamentos analisados, sem buscar responsabilizar os rapazes.
A investigação também colhe dados sobre sexualidade: metade dos participantes relatou atração por pessoas do mesmo sexo. Os autores destacam que os resultados apontam para uma maior flexibilidade da masculinidade entre jovens, alinhada a tendências internacionais.
Os comportamentos delinquentes estudados incluem furtos, destruição de propriedade, condução sem carta, porte de arma e venda de drogas. A amostra é exclusivamente masculina, o que contextualiza a leitura dos dados neste grupo.
O estudo foi publicado a 7 de maio na revista Criminology & Criminal Justice, da British Society of Criminology. O William James Center for Research integra-se como unidade de I&D em psicologia.
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