Em Alta futeboldesportoPortugalinternacionaisgoverno

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Gérard e David: o retrato de um pai contado pelo filho

Filho recorre ao legado do pai, em retrospectiva com 37 imagens, para revelar leituras íntimas sobre vida, arte e o paradoxo da fotografia

Figueira do Guincho, 1988
0:00
Carregando...
0:00
  • No centenário do nascimento de Gérard Castello-Lopes, o filho mais novo, David, apresenta uma leitura renovada da obra do pai, escolhendo 37 imagens e escrevendo sobre elas.
  • A retrospectiva funciona como uma visão em modo “best of” do próprio David, com apontamentos íntimos sobre as fotografias de Gérard e sobre episódios da vida familiar.
  • O conjunto inclui 13 dípticos que desafiam leituras da obra, oferecendo novas perspetivas sobre a relação entre imagem, realidade e memória.
  • Entre os testemunhos, destacam-se exemplos como um duplo retrato de Paris em 1999, a reflexão sobre a pobreza e a riqueza em Lisboa de 1957, e a ideia do paradoxo da aparência na fotografia da Cascais de 1987.
  • A mostra percorre várias localidades e décadas, desde Lisboa e Paris até Óbidos, Verdun e Cascais, mapeando a trajetória de Gérard Castello-Lopes através do olhar do filho.

Pelo centenário do nascimento de Gérard Castello-Lopes, o filho mais novo do fotógrafo apresenta uma leitura renovada da sua obra. Escolheu 37 imagens e escreveu sobre elas, oferecendo um conjunto de perspetivas pessoais. A seleção que segue reúne 13 dípticos que dialogam com a visão do pai e ajudam a entender o seu legado.

A retrospectiva foca-se no cruzamento entre memória familiar e a prática fotográfica, explorando a relação entre autor e sujeito, bem como a forma como a imagem pode transmitir verdades e ambiguidades. O texto de apoio revela momentos de biografia e de convivência entre pai e filho.

Paris, 1999

Sou eu em segundo plano, com a minha T-shirt Nike Air. A ideia inicial foi duplicar o retrato com o auto-retrato no espelho do quarto de casa de banho. O pai aceitou tentar; acabou por repetir e melhor. Isso, segundo o fotógrafo, irritou-me um pouco.

Lisboa, 1957

O fotógrafo descreve que as pessoas realmente pobres e as realmente ricas aceitam ser fotografadas de passagem; quem não gosta é a pequena burguesia. Na imagem, observa-se a expressão de uma mulher com sinais de violência no olhar.

Chambord, 1984

Forma, geometria e simplicidade dominam a paisagem. O habitual jogo entre curvas, triângulos e rectângulos revela a leitura de um espaço com a inocência da infância. Entre as figuras pequenas, a escala monumental da paisagem ganha outra leitura.

Cascais, 1987

O fotógrafo explica ter revelado, a partir de 1982, o paradoxo das aparências. A imagem de um rochedo parece voar sobre a água, embora a matéria seja uma realidade sólida. O registo transmite uma verdade que pode trair a confiança na perceção.

Óbidos, 1957

O calor do meio da tarde obriga a ficar dentro de casa, com paredes antigas. A cena sugere um clima de suspense, lembrando um western. O texto indica que o pai regressou a Óbidos em 2021, ampliando o registro.

Roma, 1958

Quase sempre em trabalho na Itália, na altura um polo importante do cinema mundial, o pai era distribuidor de filmes. Entre padres e poses, a serenidade aparece de forma contida, enquanto o fotógrafo captura a expressão hesitante dos indivíduos.

Figueira do Guincho, 1988

Na casa de campo, o registo é de um momento de infância. Um teto de canas permite a passagem de luz, e o pai diz para não se mexer. Em silêncio, o retrato fixa um instante em que o sol desenha um padrão na nuca do filho.

Paris, anos 1950

O fotógrafo apenas expôs esta imagem mais tarde, por considerar fácil a composição. Apesar disso, mantém o equilíbrio e o prazer de ver as pessoas reduzidas a formas simples sobre a relva.

Bruxelas, 1958

A cena de meia-idade da pequena burguesia contrasta com o Atomium, elemento futurista. A figura feminina é um rectângulo, o homem um triângulo, ambos com uma esfera no topo, sugerindo uma leitura de geometria humana.

Lisboa, 1998

No ano da Exposição Universal, barcos navegavam na névoa. A foto capta a água em movimento e um barco cortado, criando um efeito poético que parece surgir mais tarde na linha do tempo.

Algarve, 1957

A curiosidade domina a imagem: o rosto das pessoas não é revelado, e a incógnita sobre o que observam mantém o foco do retrato.

Verdun, 2000

Às 17 anos, o filho também quis ser fotógrafo. No Douaumont, o tronco cortado e a silhueta de um arbusto revelam a diversidade de leituras. A presença das cruzes cresce de forma discreta, conferindo ironia ao conjunto. A fotografia do filho é descrita como inferior à do pai.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais