- A Bienal de Arte de Veneza, na sua 61.ª edição, adota o tema In Minor Keys, visando abrandar o ritmo da exposição central.
- Após a morte da curadora Koyo Kouoh, em maio de 2025, a equipa executa agora a visão para repensar a mostra, com 111 artistas distribuídos entre Giardini e Arsenale.
- O conceito enfatiza motivos como Santuários, Procissão, Escolas, Descanso e Performances, ligados por uma ideia de “geografia relacional” e de uma visita mais meditativa.
- Destacam-se espaços-óaseis e jardins que promovem memória e sustento, incluindo intervenções como Still Life, de Linda Goode Bryant, e o pátio La Cour de Issa Samb.
- Vários pavilhões nacionais serão também espaços de contemplação, como o Pavilhão da Santa Sé com uma experiência sonora, e o Qatar com uma tenda de intercâmbio cultural, envolvendo artistas e programas ao vivo.
A Bienal de Arte de Veneza 2026 redefine a sua leitura de exposição central, assente no legado da curadora Koyo Kouoh. A morte da criadora camaronesa-suíça, em maio de 2025, levou a equipa a materializar a visão que defendia: uma mostra menos barulhenta, com tonalidades suaves de emoção, ligação e enraizamento, sob o tema In Minor Keys. Ageda a exposição principal distribui-se entre Giardini e Arsenale, reunindo 111 artistas.
O objetivo é convidar os visitantes a atravessar a mostra com tempo para contemplação, buscando uma experiência mais espiritual e sensorial. Kouoh defendia uma “geografia relacional”, onde encontros entre artistas de áreas distintas criam afinidades. A organização sublinha o convite a um percurso meditativo, longe da pressa contemporânea, para reconectar com o essencial.
Alma, sentidos e espiritualidade
A curadoria identifica motivos que se entrelaçam, como Santuários, Procissão, Escolas, Descanso e Performances. A exposição enfatiza quietude, cuidado, intimidade e reflexão, explorando como a ligação pode emergir de encontros inesperados entre movimentos e backgrounds.
A ideia é que o público perceba uma relação que nasce de memórias partilhadas, mais do que de vínculos óbvios. A narrativa convida a observar as obras como parte de uma prática de escuta e sensibilidade.
Jardins e oásis
A mostra introduz um arquipélago de oásis, espaços de memória preservados por grandes artistas. Entre eles, Issa Samb, em Dakar, Marcel Duchamp e Werewere Liking, em Abidjan. O jardim funciona como espaço de sustento e reconexão, com Still Life, de Linda Goode Bryant, a ganhar forma de quinta urbana cuidada por mulheres em regime contínuo.
O motivo Escolas aparece como outro jardim, dedicado a alimentar aprendizagem e criatividade. Organizações lideradas por artistas, como Raw Material Company, GAS Foundation e Nairobi Contemporary Art Institution, articulam uma ética de partilha, tempo dedicado e sementes de responsabilidade social, sem depender do mercado.
Intercâmbio e pavilhões
Alguns pavilhões nacionais serão espaços de contemplação. O Pavilhão da Santa Sé oferece uma experiência sonora inspirada em Hildegard von Bingen, permitindo uma “oração sonora” no jardim claustral. No Qatar, tiran a estrutura de tenda para intercâmbio cultural, com filme de Sophia Al-Maria, performances de Tarek Atoui, uma escultura de Alia Farid e cozinha do Médio Oriente por Fadi Kattan.
Procissões e o carnaval
O motivo Procissão celebra a ligação humana e a participação coletiva. Artistas como Demond Melancon, Nick Cave, Alvaro Barrington, Daniel Lind-Ramos e Ebony G. Patterson exploram encontros que variam entre rituais da diáspora e comunhão entre vivos e antepassados. O carnaval aparece como subversão espaço-temporal, desafiando normas históricas da arte.
A instalação central, desenhada pelo ateliê Wolff Architects, bebe de Cem Anos de Solidão e Amada, criando uma experiência sensorial que privilegia a intimidade e a interação entre visitantes e obra. O Pavilhão do Japão aposta na participação com Grass Babies, Moon Babies, de Ei Arakawa-Nash, com uma dinâmica em que as pessoas transportam bonecas bebé e participam num código de leitura poética.
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