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Antártida: o colapso do gelo marinho já não é mistério

Estudo revela tríade de fatores — calor profundo, ventos fortes e retroação — por trás do colapso do gelo marinho antártico, com implicações climáticas globais

Cientistas desvendam mistério do degelo do gelo marinho na Antártida
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  • Entre 2002 e 2020, a Antártida perdeu cerca de 149 mil milhões de toneladas de gelo por ano, segundo a NASA.
  • Um estudo publicado na Science Advances aponta um “triplo impacto” — calor nas profundezas do oceano, ventos fortes e um ciclo de retroação — que desestabilizou o Oceano Antártico desde 2015, dificultando a recuperação do gelo marinho.
  • A perda varia por região: na Antártida Oriental o degelo está ligado ao contato com águas profundas quentes; na Ocidental, ar quente e nuvens aprisionam calor na superfície.
  • As consequências incluem menor albedo, aquecimento oceânico e maior risco de subida do nível do mar, com potenciais impactos em zonas costeiras.
  • O turismo na região cresce rapidamente, com cerca de 122 mil visitantes em 2024, podendo superar 450 mil por ano até 2033, aumentando a pressão ambiental.

A Antártida vive um degelo acelerado do gelo marinho, com perdas estimadas entre 2002 e 2020 de cerca de 149 mil milhões de toneladas por ano, segundo a NASA. Um estudo publicado na Science Advances identifica o mecanismo por detrás do colapso regional.

Liderado por Aditya Narayanan, da Universidade de Southampton, o trabalho descreve um “triplo impacto” que, a partir de 2015, desestabilizou o Oceano Antártico. Calor nas profundezas, ventos fortes e um ciclo de retroação criaram um tendência de derreter que pode não recuperar.

O estudo mostrou que o colapso ocorreu em três fases, com diferenças entre as regiões Oriental e Ocidental. Ventos que transportaram água quente para perto do gelo aceleraram o degelo na Antártica Oriental, enquanto na Ocidental o aquecimento próximo da superfície predomina.

Causas da perda de gelo marinho

Por volta de 2013, a água quente das profundezas chegou ao gelo sob a superfície, impulsionada por ventos intensos. Em seguida, ventos ainda mais fortes elevavam esse calor à superfície, provocando degeneração rápida do gelo na região oriental.

Desde 2018, as perdas entraram num ciclo de retroação: menos gelo marinho reduz o albedo, mantendo a superfície oceânica mais quente e salobra, o que dificulta a formação de novo gelo. As alterações climáticas intensificam esse efeito.

Os investigadores observam variações entre as áreas: a Antártida Oriental perde principalmente pela subida de água profunda; a Ocidental por ar quente descentralizado e nuvens persistentes que prendem calor. A dinâmica envolve ventos que fortalecem o transporte de água quente.

Consequências e perspetivas

O gelo marinho atua como refletor de calor: a sua redução aumenta a absorção de calor pelo oceano, acelerando o aquecimento global. Águas mais quentes favorecem a erosão de plataformas de gelo, elevando o nível do mar.

Cada centímetro de subida do nível do mar pode deixar expostas áreas costeiras a inundações, conforme estimativas de impactos globais. O estudo alerta para pontos de não retorno climáticos que podem intensificar o aquecimento.

O registo de riscos é também económico e humano: entre 2002 e 2020, a Antártida perdeu massa gelada, afetando correntes oceânicas e o clima global. Paralelamente, a região continua a atrair turismo intenso.

Entre 2024 e projeções de 2033, o turismo na Antártida mantém-se em ascensão: a IAATO indica cerca de 122 mil visitantes em 2024, com estimativas a ultrapassar os 450 mil por ano até 2033, aumentando pressões ambientais e sanitárias na região.

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