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Estudo sugere antibiótico no tratamento de ataques de pânico, debate permanece

Estudo brasileiro sugere que a minociclina, em doses baixas, pode moderar ataques de pânico por via anti-inflamatória; especialistas pedem cautela na leitura

Imagem de contexto do artigo Antibiótico para tratar ataques de pânico? Estudo admite possibilidade e debate
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  • Um estudo brasileiro, da Universidade Estadual Paulista e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sugere que pequenas doses de minociclina podem moderar ataques de pânico ao atuar na inflamação de células nervosas.
  • A investigação usa um modelo experimental com inalação de dióxido de carbono para induzir pânico, mostrando que a minociclina reduz a intensidade das respostas.
  • Em pessoas com perturbação de pânico, a redução da gravidade da resposta ao CO2 ficou comparável ao efeito do clonazepam no contexto do estudo.
  • A psiquiatra Maria Moreno diz que a ideia pode parecer estranha à primeira vista, mas considera o resultado interessante e sofisticado.
  • O estudo enfatiza que o cérebro comunica com o sistema imunitário, hormonas e intestino, sugerindo que mudanças nesses sistemas podem influenciar o pânico.

O estudo, realizado por investigadores da Universidade Estadual Paulista e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sugere que pequenas doses da minociclina, antibiótico com propriedades anti-inflamatórias, podem moderar ataques de pânico. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature.

Os autores defendem que, em baixa dosagem, o medicamento pode atuar sobre a inflamação de células nervosas, modulando processos ligados ao neuroesqueleto inflamatório. A abordagem levanta a possibilidade de tratar ataques de pânico sob a ótica da neuroinflamação, em vez de recorrer apenas a antidepressivos.

Contexto científico

A psiquiatria estudada pela equipa aponta que o cérebro não funciona isoladamente e dialoga com o sistema imunitário, hormonas e o intestino. O modelo experimental utilizou a indução de pânico por inalação de dióxido de carbono, observando-se redução na intensidade das respostas de pânico com a minociclina em humanos, em comparação com situações sem o fármaco.

Resultados e implicações

Em animais, a minociclina diminuiu comportamentos de fuga associados ao pânico. Em humanos com perturbação de pânico, a mesma intervenção reduziu a gravidade da resposta ao CO2, num contexto comparável a outros moduladores usados em investigação. O estudo oferece uma perspetiva alternativa para a abordagem da condição clínica.

Perspetivas de especialistas

A prática clínica destaca que a correlação entre antibióticos e ataques de pânico merece cautela — o tema pode exigir investigações adicionais para confirmar a aplicabilidade clínica. A leitura dos resultados sugere um olhar mais sofisticado sobre a relação entre inflamação neuro-associated e disturbios de ansiedade.

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