- José António dos Santos, de 84 anos, foi detido em julho de 2021 na operação Cartão Vermelho por ligação suspeita ao ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira; o caso afetou o acordo com John Textor.
- O empresário lidera o grupo Valouro, com cerca de quatro dezenas de empresas, e a família tinha uma fortuna estimada em cerca de 475 milhões de euros pela Forbes no início de 2025.
- A ligação ao Benfica inclui participações no clube, tendo o grupo Valouro detido 2,71 por cento da SAD em 2020; o irmão gémeo também é sócio, mas sem participação direta.
- O Ministério Público sustenta que Vieira lançou uma Oferta Pública de Aquisição em novembro de 2019 para compensar financiamentos de 44,7 milhões euros ao empresário; se a OPA tivesse sido bem-sucedida, Santos teria lucrado pouco mais de 11 milhões.
- Havia um pré-acordo com Textor para adquirir 25 por cento da SAD por 50 milhões de euros; além disso, houve outras abordagens fracassadas, incluindo de um empresário russo.
Foi detida na operação Cartão Vermelho a ligação entre o empresário português conhecido como o Rei dos Frangos e Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica. A detenção ocorreu em contexto de investigações em curso, com foco em eventuais ligações financeiras e influências sobre decisões empresariais ligadas ao clube.
José António dos Santos, de 84 anos, gere o grupo Valouro, com cerca de 40 empresas, ao lado do irmão gémeo António José. O empresário chegou a transformar um negócio de família, com origens em 1875, num grupo agroalimentar de referência. A riqueza estimada pela Forbes em início de 2025 situava-a em torno de 475 milhões de euros.
O envolvimento com o Benfica começou há décadas, sendo o empresário um adepto fervoroso. O grupo Valouro tornou-se sócio do clube apenas em 2020, por meio de três empresas, com participação de 2,71%. O irmão gémeo, igualmente sócio, não integrou o investimento na SAD.
Contexto da Operação Cartão Vermelho
Segundo as autoridades, a detenção teve como foco a relação com Luís Filipe Vieira e eventuais compensações pela concessão de financiamentos. O MP sustenta que a OPA de novembro de 2019 visava compensar Vieira por empréstimos de 44,7 milhões. Se a OPA fosse aprovada pela bolsa, o empresário poderia obter mais de 11 milhões de euros.
A investigação também envolve a possível expectativa de negócio com John Textor, em torno da aquisição de 25% da SAD do Benfica por 50 milhões de euros. Textor, que tem interesses em outros clubes, ameaçava alterar o controlo da SAD e já tinha ações próprias para adquirir parte do capital.
Nas escutas do caso, surgem ainda referências a outras tratativas, incluindo negociações com um empresário russo. Todas as abordagens, contudo, não chegaram a conclusão com sucesso.
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