- Estreia esta quinta-feira nos cinemas o filme Divina comédia, sátira social de Ali Asgari vinda do Irão, que abriu o Festival da Maia.
- A obra, com humor negro, surrealismo e sátira, acompanha o dia dantesco de um realizador iraniano de origem turca.
- No enredo, as autoridades recusam-lhe o visto de rodagem se o filme seguinte for em turco e cancelam-lhe a licença de exibição do filme que vai estrear.
- O cartaz remete a Nanni Moretti e a coprodução é italiana; o humor visual lembra Elia Suleiman.
- Ali Asgari continua a fazer cinema no Irão de forma independente e já teve presença em Vila do Conde e Cannes, onde foi convidado para o júri de curtas-metragens; o filme transmite que o riso pode ser resistência.
O filme Divina comédia, de Ali Asgari, estreia esta quinta-feira nos cinemas de todo o país após abrir o Festival da Maia. A sátira social utiliza humor negro para retratar o percurso de um realizador iraniano ao longo de um único dia, marcado por contratempos.
A obra combina surrealismo e referências literárias, com uma estética que remete a cineastas como Nanni Moretti e Elia Suleiman, em coprodução italiana. O protagonista é um realizador de origem turca que enfrenta dificuldades administrativas e políticas no Irão.
Ali Asgari já é presença constante em festivais internacionais, tendo participado de Vila do Conde e recebido convite para júri de curtas em Cannes. O cineasta tem produzido trabalhos independentes no Irão, muitas vezes censurados ou exibidos de forma não oficial.
Contexto e percurso
Desde a curta-metragem O silêncio, Asgari figura em palcos globais, apresentando obras que contêm críticas sociais intensas. Versos terrenos provocou escândalo na cinema iraniano, com exibição limitada e circulando sobretudo de forma clandestina.
Divina comédia evidencia, segundo a produção, que o riso pode funcionar como forma de resistência. O filme envolve ainda desfechos imprevisíveis, com situações que parecem encerrar-se apenas para se reerguerem de modo inesperado.
Impacto e repercussão internacional
Enquanto o Irão mantém restrições à exibição de alguns filmes, Asgari continua a produzir e a promover as suas obras no circuito mundial. A estreia no circuito nacional ocorre num momento de atenção renovada ao cinema iraniano contemporâneo.
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